Em julho de 1926, o Rio Grande do Sul enfrentou uma grande enchente. Embora os níveis dos rios que formam o Guaíba já começassem a baixar em Porto Alegre após o fim das chuvas, a situação era muito diferente no rio Gravataí, que seguia recebendo grande volume de água devido às precipitações intensas em suas cabeceiras. O resultado foi uma cheia considerada excepcional para a época, descrita pelo Correio do Povo como a maior registrada em muitos anos.

CORREIO DO POVO/REPRODUÇÃO
A edição de 21 de julho de 1926 relatava que o Gravataí continuava subindo rapidamente, transbordando em diversos trechos e inundando extensas áreas ribeirinhas. Os campos marginais ficaram completamente alagados e as águas avançaram sobre moradias, obrigando famílias a deixarem suas casas e procurarem locais mais seguros. A enchente afetou comunidades ao longo de todo o curso inferior do rio.
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Um dos pontos mais atingidos foi a estrada que ligava Porto Alegre a Canoas. A reportagem informava que a água cobria cerca de 500 metros da rodovia no lado da capital e aproximadamente 300 metros no lado de Gravataí. Apesar da inundação, automóveis e outros veículos ainda conseguiam atravessar o trecho, embora em condições bastante precárias.
Nas proximidades da ponte sobre o Gravataí, os terrenos da então Standard Oil Company também sofreram os efeitos da enchente. Os depósitos da empresa não chegaram a ser atingidos diretamente, mas os terrenos situados abaixo dos armazéns ficaram submersos. As casas construídas para funcionários permaneceram cercadas pela água, que ultrapassava meio metro sobre o terreno, chegando muito perto do piso das residências.
Moradores das margens do rio afirmaram ao jornal que o nível das águas havia subido cerca de três metros acima do normal. A cheia era tão expressiva que apenas pequenas embarcações conseguiam passar sob as pontes da ferrovia e da estrada de rodagem, um fato que, segundo os relatos da época, não era observado havia muitos anos.
A situação também se agravou nas proximidades da estação ferroviária de Gravataí. O transbordamento inundou a várzea junto à linha férrea e atingiu diversas casas de madeira ocupadas por trabalhadores das oficinas da Viação Férrea. Com a invasão da água, os moradores precisaram ser removidos.
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A empresa disponibilizou vagões ferroviários para abrigar provisoriamente as famílias desalojadas, uma solução emergencial diante da gravidade da enchente. Houve ainda preocupação de que a água alcançasse as oficinas ferroviárias, risco que acabou sendo evitado quando o nível do rio começou lentamente a baixar.
Mesmo com três dias consecutivos de tempo firme, o Guaíba permanecia elevado devido ao grande volume de água recebido dos rios afluentes. O Correio do Povo registrou uma cena que demonstrava a dimensão do desastre: a corrente levava em frente ao cais do porto de Porto Alegre inúmeros animais mortos, entre eles cavalos, galinhas, terneiros e cabritos, evidenciando as perdas sofridas nas áreas rurais inundadas, com os animais possivelmente trazidos pelos rios depois de enchentes nos vales do Caí e Taquari.