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Período de temperatura extremamente alta no Rio Grande do Sul vai agravar ainda mais as já enormes perdas no campo gaúcho em razão da estiagem | SILVIO AVILA/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O calor vai castigar quem mora na cidade, na Grande Porto Alegre e no interior, mais o maior impacto do período de temperatura muito acima do normal desta semana e da metade do mês no Rio Grande do Sul vai ser sentido na agricultura que vive um momento dramático em consequência da estiagem forte e severa que assola o estado gaúcho.

A sequência de dias de tempo seco com calor extremo vai agravar a evapotranspiração e gerar perda de umidade em camadas ainda mais profundas do solo, uma vez que a superfície já está seca em muitas áreas. Não bastasse, as plantas vão sofrer o estresse gerado pela temperatura extremamente alta que se prevê. Com isso, a tendência é de as perdas já enormes no campo aumentarem ainda mais no decorrer desta semana e do próximo fim de semana.


Será um evento de calor incomum no Centro da América do Sul com temperatura muitíssimo acima da climatologia normal de janeiro com máximas até 10ºC a 15ºC acima das médias históricas. O pior da onda de calor vai se dar na Argentina, Uruguai e no Oeste do Rio Grande do Sul. A tendência, pela análise da MetSul, é de marcas de até 45ºC a 47ºC nos locais mais quentes da Argentina e de 41ºC a 43ºC no Uruguai.

Aqui, no Rio Grande do Sul, o pior do calor em momento inicial vai se dar no Oeste com escalada de temperatura nos próximos dias e máximas de 41ºC a 42ºC na área de Uruguaiana na segunda metade da semana. Alguns dados projetam para a região até 43ºC ou mais, o que confirmando-se significaria um novo recorde absoluto de calor no Rio Grande do Sul, hoje de 42,6ºC em Alegrete (1917) e Jaguarão (1943).


Em Porto Alegre e região, o calor será maior no final da semana e no próximo fim de semana com marcas perto ao redor ou acima dos 40ºC. Apesar da temperatura muito alta, a Grande Porto Alegre deve escapar do pior da onde de calor. Não se espera que haja quebra de recorde na capital nem que sejam alcançados os valores verificados na onda de calor de 2014, quando fez 40,6ºC, a segunda maior marca da série histórica da capital gaúcha.

Prejuízos no campo

Os estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e parte do Mato Grosso do Sul contabilizam prejuízos com a falta de chuvas e recorrem ao Governo Federal em busca de apoio na renegociação de dívidas e agilidade no pagamento do seguro agrícola para os produtores rurais. Depois de um novembro e dezembro de pouca chuva, os primeiros dez dias de janeiro tiveram predomínio do tempo seco na maior parte do Sul do Brasil.

Em Santa Catarina, as regiões Extremo Oeste, Oeste e Meio Oeste são as mais afetadas. A principal preocupação do setor produtivo é a quebra na safra de milho – tanto milho grão quanto silagem – que deve impactar diretamente as cadeias produtivas de carne e leite. No Extremo Oeste, a colheita de milho esperada deve ter uma redução de até 50% e a expectativa de safra estadual já está sendo reduzida.

No Paraná, os prejuízos são enormes. A estimativa era de uma colheita de 21 milhões de toneladas de soja, mas hoje a tendência é colher 13 milhões de toneladas ou menos à medida que novos balanços devem apontar uma piora do cenário. No milho paranaense, o cenário é ainda mais preocupante. O estado pretendia colher 4,2 milhões de toneladas e reduziu a estimativa para 2,4 milhões de toneladas. No Rio Grande do Sul, os prejuízos na soja e no milho já são estimados em 20 bilhões de reais.

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