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Jamais se registrou um mês de setembro de tanto fogo no estado do Amazonas, na Amazônia brasileira. Somente nos primeiros 15 dias de setembro, ou seja, em apenas metade do mês, os focos de calor captados por satélites no monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais chegaram a 5.403. O número supera o recorde mensal da série histórica de setembro de 5.004 focos de calor em 2015.

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A parcial de setembro de 2022 de 5.403 focos de calor faz deste mês ainda um dos piores meses de fogo já registrados no maior estado da Região Norte. O pior ocorreu agosto do ano passado com 8.588 focos de calor identificados por satélites. O segundo pior foi em agosto deste ano, portanto no mês passado, com 8.116 focos.

Foi justamente o estado do Amazonas que fez o número de queimadas dar um salto neste mês no bioma amazônico. Somente nos primeiros 15 dias deste mês, o bioma teve 26.521 focos de calor, conforme os dados do Inpe. O número apenas da primeira quinzena já supera setembro inteiro do ano passado que teve 16.742 focos de calor e se aproxima da média histórica do mês de 32.110.


Os primeiros dias de setembro foram determinantes para o mês de muito fogo na Amazônia. Os dias 2, 3 e 4 registraram mais de três mil focos diários no bioma. Nos últimos dias, os números de focos diminuíram pelo aumento da chuva na região. No estado do Amazonas, os primeiros dias do mês foram os piores em fogo com um máximo diário no dia 5 de 913 focos de calor.

Os dados de satélite monitorados pelo Sistema Copernicus, o consórcio ambiental da União Europeia, mostram que a região amazônica concentrou na primeira quinzena deste mês a maior parte das queimadas expressivas registradas na América do Sul.

O mapa de energia radiativa por fogo captada por satélites mostra que as queimadas se deram principalmente entre o Mato Grosso, o Pará, Rondônia, Acre e o Sul do Amazonas. Observou-se ainda um grande número de queimadas na região amazônica da Bolívia, no Norte do país vizinho.

O que fugiu muito ao normal na primeira metade do mês foram as queimadas no estado do Amazonas, onde jamais se observou tanto fogo, e que se concentrou mais no Sul do estado. Na Amazônia Legal, como um todo, a primeira metade do mês esteve longe dos piores anos de fogo na região.

Os piores anos de queimadas na região amazônica brasileira se deram entre 2002 e 2007. Em 2002, agosto terminou com 43.484 focos. Em 2003, 34.765. Já em 2004, 43.320. Em 2005, o recorde da série histórica do mês com 63.764. Em 2006, 34.208. E, por fim, 2007 com 46.385 focos de calor em agosto. Em 2011, o menor número em agosto com 8.002 focos.

Já em setembro, os piores anos de fogo ocorreram no bioma em 2002 (48.549 focos), 2003 (47.789 focos), 2004 (71.522), 2005 (68.560), 2006 (51.028), 2007 (recorde com 73.141 focos de calor), e 2010 (43.933). O setembro com menos fogo na Amazônia foi no ano 2000 com 10.062 focos de calor.

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