Bioma amazônico registrou o pior fevereiro de queimadas desde o começo dos dados por satélites no final do século passado sob forte influência de números altíssimos de fogo em Roraima | MICHEL DANTAS/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O segundo mês do ano foi de recordes de fogo no Norte do Brasil. A Amazônia registrou o fevereiro com maior número de queimadas deste que se iniciaram as medições por satélites, mostram dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número de focos de calor registrados no bioma durante o mês recém terminado correspondeu a 391% da média histórica.

Conforme as medições por satélites, a Amazônia anotou 3158 focos de calor entre os dias 1º e 29 de fevereiro, número muito acima da média histórica de 807. As medições tiveram início em 1998. Os números ficaram muitíssimo acima de fevereiro do ano passado, que terminou com 734 focos de calor na Amazônia.

Dois dias, em particular, tiveram um altíssimo número de focos de calor na Amazônia em fevereiro. No dia 20, os satélites registraram 557 focos de calor. No dia 22, 509 focos de calor. Ou seja, em apenas dois dias se superou fevereiro inteiro do ano passado e a média histórica do mês. O pior fevereiro de fogo até então tinha ocorrido em 2007 com 1761 focos de calor.


Roraima, que enfrentou o pior fevereiro de fogo de sua história, com 2057 focos de calor, superando a média anual toda em apenas um mês, teve enorme impacto no balanço mensal do bioma amazônico. O Pará também anotou mais queimadas que o normal com 260 focos contra uma média histórica mensal de 93. O mesmo ocorre no Amazonas com 142 focos contra uma média de 57.

Janeiro já havia terminado com mais queimadas do que a média no bioma Amazônia com 2049 focos de calor, acima da média mensal de 1527. Foi o quarto pior janeiro de fogo da série histórica, atrás de 2003, 2004 e 2005.

No ano passado, no estado do Amazonas, o principal da região, dois meses foram recordes em número de queimadas: junho e outubro. Em outubro, o estado anotou 3858 focos de calor, muito acima da média histórica mensal de 1411.


O fenômeno El Niño, que neste evento é de forte intensidade e causou uma grande seca em 2023 na Amazônia, contribui para o aumento de queimadas, mas os focos de calor em áreas de florestas têm origem humana. Em fevereiro, as áreas amazônicas de Venezuela e Colômbia também registram um número muito elevado de queimadas. Os dois países enfrentam igualmente déficit de chuva.

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