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Porto Alegre ainda sofre as consequências do temporal de uma semana atrás com árvores nas ruas, serviços de internet e televisão por assinatura prejudicados, e milhares de pessoas ainda sem energia elétrica | FERNANDO OLIVEIRA

Há uma semana, violentos temporais com graves impactos atingiam o Rio Grande do Sul, trazendo mortes e destruição. Porto Alegre foi a cidade mais afetada pela onda de tempo severo, trazida por uma linha de instabilidade que avançou pelo estado com vendavais, granizo e chuva intensa em diversas cidades.

Com décadas de experiência em previsão do tempo para os gaúchos, aprendemos na MetSul que eventos traumáticos como o da última terça naturalmente induzem o temor de um novo episódio extremo sempre que há previsão ou alerta de um fenômeno da mesma natureza.


Isso se viu no passado, especialmente em ciclones de graves consequências. Após o furacão Catarina de 2004, depois do ciclone bomba de 2020, e na sequência dos ciclones de junho e julho de 2023, sempre que havia um aviso de ciclone automaticamente surgia no público o temor de repetição do ocorrido dias ou semanas antes.

Ocorre que ciclones e temporais fazem parte do nosso clima, ocorrem várias vezes ao ano, e a maioria não traz consequências devastadoras. Embora mudanças climáticas favoreçam aumento de eventos extremos, o temporal da terça-feira da semana passada em Porto Alegre é a exceção e não a regra.


Tempestades como de uma semana atrás não acontecem toda hora. Nos intervalo de dez anos, no caso da capital, houve três tempestades severas de muito alto impacto. A de outubro de 2015, que arrasou Canoas pelo granizo gigante, o grande vendaval de janeiro de 2016 e agora o violento temporal de janeiro de 2024.

Neste período de dez anos, Porto Alegre sofreu com dezenas de outros temporais, que trouxeram transtornos, inconvenientes e estragos, mas sem os enormes efeitos para a população destes três. Um destes temporais foi o de outubro de 2017, que destelhou o antigo ginásio da Brigada Militar.

Qual o risco de novos temporais neste verão em Porto Alegre. Uma vez que é verão e o período de mais altas temperaturas do ano, a probabilidade de novos temporais até o fim da estação é altíssima, especialmente na segunda metade de fevereiro e em março.

Já a probabilidade de tempestade semelhante em fúria ao do dia 16 de janeiro deste ano é muito menor, mas não descartável, porque, como dito, temporais com a violência vista na semana passada não são a regre e não ocorrem a todo momento.

Os tempos são de extremos, contudo, e que desafiam as probabilidades estatísticas, como vimos na primavera. O Guaíba só havia excedido 3,00 metros uma vez entre 1941 e 2022, em 1967. Então, em apenas 50 dias, na primavera de 2023, superou a cota duas vezes em tão-somente 50 dias.

Durante as próximas semanas, ao longo de fevereiro, se prevê dias mais quentes que se tem observado em janeiro, um fator que eleva o risco de temporais isolados de fim de tarde e à noite gerados pelo calor, mas, por outro lado, haverá menos umidade no estado, o que desfavorece uma alta frequência de temporais.

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