A MetSul Meteorologia alerta para o primeiro episódio de chuva volumosa do El Niño de 2026 no Sul do Brasil e que pode trazer acumulados de precipitação tão altos quanto a 100 mm a 200 mm em poucos dias com marcas localmente superiores.

Primeiro episódio de chuva volumosa do El Niño de 2026 vai afetar áreas dos três estados do Sul com acumulados de precipitação de até 150 mm a 200 mm e risco de temporais isolados com raios | FABIAN RIBEIRO
Os volumes de chuva elevados vão afetar áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná, não se descartando temporais isolados com queda de granizo e rajadas de vento forte.
O tempo começa a mudar neste sábado (27) ao longo do dia com aumento de nuvens e a atmosfera se instabilizando com chuva. Já chove entre a madrugada e de manhã em diferentes pontos do Paraná. Da tarde para a noite, a chuva alcança vários pontos de Santa Catarina e ainda setores das Metades Oeste e Norte do Rio Grande do Sul.
No domingo (28), com uma área de baixa pressão atmosférica, a chuva atinge todo o Rio Grande do Sul, a maior parte de Santa Catarina e ainda áreas do Paraná, especialmente no Sudoeste e o Sul paranaense. Alerta-se para o risco de chuva localmente moderada a forte com pancadas isoladas mais intensas no território gaúcho.
Na segunda (29), com uma frente fria associada ao centro de baixa pressão que formará um ciclone em alto mar, a chuva se concentra em Santa Catarina e no Paraná, devendo ser moderada a forte em alguns pontos. Ao mesmo tempo, com o avanço de ar mais seco e frio de alta pressão, o tempo melhora no Rio Grande do Sul com sol e nuvens.
Ocorre que se instalará um bloqueio atmosférico que vai impedir a progressão da frente, que passará à condição de semi-estacionária. Com isso, na terça (30), o tempo seguirá instável em várias regiões catarinenses e paranaenses. O sistema recua um pouco para o Sul e traz de volta a chuva para o Rio Grande do Sul, concentrando-se na Metade Norte gaúcha.
Na quarta (1º/7), com o avanço de massa de ar frio de forte intensidade na Argentina, o sistema frontal se intensifica com chuva mais forte. A instabilidade atinge especialmente a Metade Norte gaúcha e pontos do Leste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Oeste e o Sul do Paraná.
O tempo ainda deve seguir instável na quinta (2) em diversos pontos dos três estados do Sul, mas os dados apontam que a precipitação será mais irregular e com menores volumes do que na véspera à medida que avança ar mais frio.
Veja os volumes de chuva previstos
Há um consenso entre os principais modelos meteorológicos considerados de alto índice de acerto usados pela MetSul Meteorologia sobre o episódio de chuva dos próximos dias no Sul do Brasil.
Os mapas abaixo, que podem ser consultados a qualquer hora pelo assinante (clique aqui e assine), mostram as projeções de chuva acumulada em sete dias no Sul do Brasil do modelo canadense (CMC), alemão (Icon), britânico (UKMET) e do Centro Europeu (ECMWF).

METSUL

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Os modelos estão de acordo que as áreas com os maiores volumes de chuva devem ser o Noroeste e o Norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina (mais o Oeste, Meio-Oeste e o Planalto Sul), e ainda parte do Paraná, sobretudo o Sudoeste e o Sul paranaense.
Os acumulados de chuva nestas áreas devem ser elevados com muitos municípios destas regiões do Sul do Brasil com acumulados acima de 100 mm em poucos dias. Haverá em alguns pontos acumulados tão altos quanto 150 mm a 200 mm, não se descartando que em algumas localidades os volumes sejam maiores.
Instabilidade com sinal de El Niño
Embora episódios de chuva volumosa no Sul do Brasil sejam normais no inverno, com ou sem El Niño dentro da variabilidade natural do clima, a configuração atmosférica que vai levar a este evento de instabilidade é típica do que ocorre quando o Pacífico está em uma fase quente.

Chuva será favorecida pelo contraste entre duas grandes massas de ar: uma fria na Argentina e outra quente no Brasil | METSUL
Uma massa de ar muito fria de origem polar vai cobrir a Argentina neste fim de junho e no começo de julho enquanto uma massa de ar mais quente vai atuas sobre grande parte do Brasil no período.
Haverá um bloqueio atmosférico associado à massa de ar quente vai impedir o avanço de uma frente fria, fazendo que com a instabilidade persista por dias seguidos sobre o Sul do Brasil numa faixa entre a Metade Norte gaúcha e o Oeste do Paraná, levando aos volumes elevados de chuva.
Qual a situação atual do El Niño
O episódio de 2026-2027 do El Niño, que teve início em maio e foi declarado pela NOAA em 11 de junho, continua a se intensificar na faixa equatorial do Oceano Pacífico com a chegada à superfície do mar de águas mais quentes.
Com base no método tradicional de monitoramento da agência de clima dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar na chamada Região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste, já está em +1,7ºC. Este valor pelo método ONI está em patamar já de El Niño forte. Já pelo novo método de monitoramento, chamado de RONI, a anomalia nesta parte do oceano está em +1,1ºC, na faixa de El Niño moderado.
A MetSul Meteorologia reitera que, por conta do El Niño, a chuva vai aumentar muito no Sul do Brasil no segundo semestre deste ano com tempestades frequentes, eventos de chuva excessiva numerosos, cheias de rios e enchentes. O período mais crítico será de setembro a dezembro.