Piloto da Argentina conseguiu registrar um dos fenômenos atmosféricos mais raros de se observar. Trata-se de um blue jet, raio luminoso no sentido da nuvem para o espaço e que foi observado sobre uma enorme nuvem de tempestade do tipo Cumulonimbus, formada pelo calor e a umidade.

Diferentemente dos raios que estão acostumados a ver, que ocorrem da nuvem para o solo ou entre as nuvens, este fenômeno atmosférico ocorre durante tempestades fortes na alta atmosfera. A descarga elétrica se dá do topo da nuvem para cima, na direção do espaço.

Os blue jets estão entre o que se chama de fenômenos transientes, que incluem os chamados sprites, que são direcionados para baixo e muitas vezes já fotografados. Já estes feixes de luz são muito difíceis de se observar e são vistos a partir de aviões voando em altitudes de cruzeiro ou por astronautas no espaço.

A crença é que tenha início como descargas atmosféricas “normais” por diferenças de cargas positivas e negativas. Anteriormente, acreditava-se que estes jatos azuis não estavam diretamente relacionados aos relâmpagos e que a presença de granizo de alguma forma levava à sua ocorrência.

Os cientistas especulam que a cor azul se deva a um conjunto de linhas de emissão azul e quase ultravioleta do nitrogênio molecular neutro e ionizado. Eles foram gravados pela primeira vez em 21 de outubro de 1989, em um vídeo monocromático de uma tempestade no horizonte, tirada do ônibus espacial enquanto ele passava pela Austrália.

Os jatos azuis ocorrem com muito menos frequência do que os sprites, que são de tom avermelhado. Até 2007, tinham sido obtidas menos de cem imagens. A maioria dessas imagens, que incluem as primeiras imagens coloridas, estão associadas a uma única tempestade. Estas foram tiradas em uma série de voos de aeronaves em 1994 para estudar sprites. Mais recentemente, a origem e a formação de jatos azuis foram observadas na Estação Espacial Internacional.

Os jatos azuis sobem das nuvens de trovoada para a estratosfera, atingindo altitudes de até cerca de 50 quilômetros em menos de um segundo. Enquanto os relâmpagos comuns excitam uma mistura de gases na baixa atmosfera para brilharem em branco, os jatos azuis excitam principalmente o nitrogênio estratosférico para criar sua tonalidade azul característica.

Jatos azuis têm sido observados no solo e em aeronaves há anos, mas é difícil dizer como eles se formam sem ficar bem acima das nuvens. Instrumentos da Estação Espacial Internacional detectaram um jato azul emergindo de uma nuvem de tempestade em uma das mais impressionantes imagens de fenômenos elétricos na atmosfera já feitas pela ISS. Câmeras e instrumentos sensores de luz camados fotômetros na estação espacial observaram o jato azul em uma tempestade sobre o Oceano Pacífico, perto da ilha de Nauru, em fevereiro de 2019.

“Tudo começa com o que considero uma explosão azul”, diz Torsten Neubert, físico atmosférico da Universidade Técnica da Dinamarca em Kongens Lyngby. Essa “explosão azul” foi um flash de 10 microssegundos de luz azul brilhante perto do topo da nuvem, a cerca de 16 quilômetros de altura. A partir desse ponto, um jato azul subiu para a estratosfera, subindo até cerca de 52 quilômetros em várias centenas de milissegundos.

Os relâmpagos normais são formados por descargas entre regiões de cargas opostas de uma nuvem – ou uma nuvem e o solo – a muitos quilômetros de distância. Mas a mistura turbulenta no alto de uma nuvem pode trazer regiões com cargas opostas a cerca de um quilômetro de distância uma da outra, criando rajadas de corrente eléctrica muito curtas e poderosas, diz Neubert. Os pesquisadores viram evidências dessas descargas de alta energia e curto alcance em pulsos de ondas de rádio de tempestades detectadas por antenas terrestres.

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