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Padrão de circulação atmosférica de massas de ar na América do Sul agrava o risco de tempestades muito severas no Centro da Argentina, Uruguai e parte do Sul do Brasil | MARIANA SUAREZ/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A MetSul Meteorologia alerta que o padrão atmosférico atual de distribuição de massas de ar na América do Sul favorece uma condição de tempo severo em áreas centrais do continente maior do que normalmente observada durante o verão. Com isso, cresce o risco de chuva localmente extrema e de temporais com muitos raios, granizo e vento forte.

Nas últimas semanas, a Argentina enfrentou uma série de tempestades severas. Se por um lado são ocorrências comuns nesta época do ano, os temporais tiveram intensidade maior do que se costuma verificar.


Em 16 de dezembro, um temporal com vento de 180 km/h na dianteira de uma frente fria com uma poderosa linha de instabilidade causou 13 mortos na cidade argentina de Mar del Plata, na província de Buenos Aires.

Horas depois, a mesma linha de instabilidade provocou vento de 130 km/h na Grande Buenos Aires. Foi um dos três piores temporais deste século na capital da Argentina, juntamente com as tempestades de julho de 2006 e abril de 2012. Na sequência, a mesma linha de instabilidade causou vento de 167 km/h em Colonia com três mortes no Sudoeste do Uruguai.


Nesta semana, duas pessoas morreram como consequência de uma tempestade severa em Miramar, na costa da província de Buenos Aires, onde os danos foram extensos pelo vento que atingiu em estações meteorológicas até 150 km/h.

Os primeiros dez dias deste mês de janeiro tiveram eventos de chuva extrema no Centro e no Nordeste da Argentina com sucessivas poderosas áreas de instabilidade. Dados do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina indicaram entre 1º e 10 de janeiro 431 mm em Reconquista (Santa Fé) e 403 mm em Mercedes (Corrientes).

Encontro de ar frio e quente favorece tempestades

Várias massas de ar frio atuaram do Centro para o Sul da Argentina na segunda metade de dezembro e neste começo de janeiro a ponto de ter nevado a uma semana do Natal em algumas localidades patagônicas com grande acumulação.

Automóvel destruído pela queda de uma árvore no bairro de Palermo, na cidade de Buenos Aires, onde caíram centenas de árvores pelo vendaval de 17 de dezembro de 2023. | ALEJANDRO PAGNI/AFP/METSUL METEOROLOGIA 

Ao mesmo tempo que estes pulsos de ar frio avançam por vezes até o Centro argentino, ar muito quente cobre o Norte e o Nordeste do país, onde as temperaturas nesta semana chegaram a 45ºC em províncias como Salta e Formosa.

Justamente o encontro destas massas de ar, frias vindas do Sul, e tropicais quentes mais ao Norte, favorece a ocorrência de tempestades mais fortes, afinal alta frequência de massas de ar frio do Centro para o Sul da Argentina não é o padrão normal do verão.

Padrão persiste e trará mais fenômenos severos

Na segunda metade destes mês de janeiro e ainda talvez nos primeiros dias de fevereiro este padrão atmosférico deve persistir com encontro de massas de ar frio e quente no Centro da América do Sul, afetando principalmente o Centro da Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul.

Projeção de anomalia de temperatura do modelo europeu para 15 a 22 de janeiro mostra o contraste entre ar mais frio cobrindo o Centro-Sul da Argentina e ar muito qente do Centro para o Norte do continente | ECMWF

Com isso, a segunda metade de janeiro tem um risco aumentado de episódios de tempo severo com eventos de chuva extrema e de tempestades muito fortes e com danos nestas regiões. Ao meno um episódio de tempo severo na região pode ser de grande proporção com graves riscos de tempestades destrutivas.

No decorrer de fevereiro, ar mais quente começará a avançar mais para o Sul com maior frequência, até a Patagônia, fazendo com que os temporais passem a ser mais efeito de forte aquecimento diurno e menos pela atuação de frentes frias ou ciclones na costa da Argentina.

O encontro de massas de ar quente e frio, aliás, aumenta o risco de ciclogênese e de centros de baixa pressão profundos nas latitudes médias da América do Sul, o que, no caso do verão, pela atmosfera estar muito quente, preocupa porque agrava o risco tanto de tempestades muito severas de vento como de acumulados extremos de chuva. Ciclogêneses extratropicais ocorrem justamente pelo encontro de massas de ar quente e frio.

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