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Oscilação de Madden-Julian pode trazer aumento da chuva nas próximas semanas, mas cenário, em geral, deve permanecer de precipitação abaixo da média histórica | Alina Souza

A primeira metade do mês de julho vai terminar com chuva por demais escassa no Rio Grande do Sul, encaminhando um mês que deve terminar com chuva abaixo da média no Estado. A expectativa é que as precipitações tornem a aumentar no estado gaúcho rumo ao final do mês e durante agosto.

As primeiras duas semanas de julho sequer tiveram chuva em muitas cidades gaúchas. Em muitos locais, os únicos registros coletados em pluviômetros são de orvalho noturno em noites de neblina e nevoeiro. Quase todo o Estado não teve um episódio de chuva no período.


Dados de precipitação do Instituto Nacional de Meteorologia entre os dias 1º de julho e 9h de hoje (14) mostraram Lagoa Vermelha, Cruz Alta, Santa Vitória do Palmar, Santa Maria, Bom Jesus, Passo Fundo, São Luiz Gonzaga e Caxias do Sul com zero de precipitação nestas duas semanas. Porto Alegre registrou 1,5 mm, mas este volume se deveu exclusivamente a orvalho. O mesmo ocorreu em Bagé com coleta de 0,4 mm nas primeiras duas semanas do mês.

Por que pode ter mais chuva em agosto?

A tendência para a segunda metade julho é que passada a influência da massa de ar frio de origem polar da próxima semana a instabilidade retorne ao Rio Grande do Sul. Isso, entretanto, não deve ser suficiente para evitar que julho termine no Estado com volumes de chuva abaixo ou muito abaixo das médias históricas.

Para que chova mais que julho não é preciso chover muito em agosto. O mês costuma ter uma alternância maior de massas de ar frio e quente, o que favorece instabilidade e com episódios às vezes de temporais que podem trazer chuva localmente forte e volumosa.

Os modelos de clima, em geral, indicam um agosto com chuva abaixo da média no Sul do Brasil. Os volumes, entretanto, devem ser superiores a este mês de julho. O motivo está na passagem pelas longitudes do Brasil de uma oscilação intrasazonal conhecida pelos meteorologistas e que tem o nome de Oscilação de Madden-Julian.

Neste mês de julho, as longitudes nossas estavam sob uma fase desta oscilação que não favorece a ocorrência de instabilidade e de convecção suprimida, o que resultou numa grande diminuição da chuva e as precipitações escassas.

Projeção de evolução da Oscilação de Madden-Julian para as próximas semanas | University of Albany

As projeções indicam que no final deste mês e em parte de agosto uma fase mais ativa da Oscilação de Madden-Julian passaria pelas nossas longitudes, criando uma condição atmosférica mais propícia para instabilidade.

O que é a Oscilação de Madden-Julian

A Oscilação de Madden-Julian é uma área de maior instabilidade que circunda o mundo, movendo-se de Oeste para Leste, a cada 30 a 60 dias pelos trópicos, mas que estudos mostram ter influência nas zonas subtropicais e com repercussões ate nas regiões polares. Descoberta em 1971 pelos cientistas Roland Madden e Paul Julian do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR), dos Estados Unidos, a oscilação também chamada de 30-60 é hoje monitorada atentamente pelos meteorologistas no mundo inteiro.

A oscilação vem acompanhada de uma condição de maior convecção (movimentos ascendentes na atmosfera) que favorece instabilidade atmosférica e, assim, chuva. Seus efeitos são especialmente pronunciados sobre os oceanos Índico e Pacífico. De acordo com a sua intensidade, os efeitos podem ser mais ou menos pronunciados por onde passa. Por isso, a atuação desta oscilação já foi responsável por trazer chuva com altos volumes no verão do Sul do Brasil, mesmo estando um evento de La Niña atuando no Pacífico.


A OMJ favorece ainda atividade ciclogenética, ou seja, a formação de ciclones. Como consequência, quando a oscilação passa pelas longitudes do continente americano cresce o risco de ciclones extratropicais no Atlântico Sul, sendo que alguns podem ser intensos com reflexos no Sul do país.

No Atlântico Norte, fases negativas da OMJ na temporada de furacões reduzem o risco de ciclones tropicais e fases positivas aumentam demais a probabilidade de tempestades tropicais e furacões. Já no inverno, a fase positiva tende a gerar ciclones extratropicais intensos no Atlântico Norte como os Nor’easter que afetam a costa Nordeste dos Estados Unidos.

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