Esther Melo/Twitter

“Você não podem imaginar, existem partes da cidade que estão destruídas”. Palavras de uma meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia em Belo Horizonte durante conversa com a MetSul ontem sobre os números do temporal da noite da terça-feira na capital mineira.

A Defesa Civil local registrou 170 mm de chuva em apenas três horas no Centro-Sul de Belo Horizonte entre 19h e 22h. Ruas viraram enormes rios, carros se empilhavam na correnteza (foto), estruturas colapsaram e houve deslizamentos. E foi o terceiro temporal de chuva acima de 100 mm em curto período em apenas uma semana.

Os números da chuva em Belo Horizonte são impressionantes. A precipitação de janeiro até 9h de ontem chegava a 932,3 mm na estação convencional do Inmet na cidade. É metade da média anual de chuva. Desde o começo das medições em 1910, nenhum mês foi mais chuvoso na capital mineira e o recorde de 850 mm que era de janeiro de 1985 foi amplamente batido.


Houve seis dias neste mês com +50 mm em 24h, três com +100 mm em 24h e um dia com +150 mm em 24h. O volume em 24h até 9h de 24/1 foi de 171,8 mm, o mais alto em 110 anos de dados.

O volume em Belo Horizonte neste janeiro é maior que a soma de dois dos meses mais chuvosos da história de Porto Alegre e que determinaram a grande enchente: abril de 1941 (387 mm) e maio de 1941 (409 mm).