Uma poderosa massa de ar polar vinda do Ártico mantém grande parte do Canadá sob frio extremo neste fim de semana e também avança com força sobre o Norte dos Estados Unidos. Meteorologistas e médicos alertam que as condições são perigosas e que o congelamento da pele pode ocorrer em questão de minutos, representando risco real à vida.

JOSHUA LOTT/AFP/METSUL
No Canadá, o frio mais severo atinge o sul de Saskatchewan e o sul de Manitoba. Nessas regiões, as temperaturas nas madrugadas podem chegar a cerca de –45°C, com sensação térmica ainda mais baixa devido ao vento. Mesmo durante a tarde, os termômetros mal devem ultrapassar –25 °C em algumas áreas. Cidades como Regina, Saskatoon e Winnipeg estão sob alertas de frio extremo.
“Você sente imediatamente ao sair de casa”, afirmou Danielle Desjardins, meteorologista do Environment Canada. Segundo ela, em situações como essa, o congelamento da pele pode ocorrer em minutos ou até menos, especialmente quando há vento forte, que acelera a perda de calor do corpo.
O frio intenso também alcança outras províncias, como Alberta, Quebec e Ontário. Em Toronto, a maior cidade do país, a previsão de temperaturas muito baixas e rajadas de neve levou ao cancelamento de eventos ao ar livre e ao fechamento preventivo do zoológico municipal.
Nos Estados Unidos, o impacto é especialmente grave em Minnesota. Com sensação térmica entre -40°C e -50°C, médicos alertam que o congelamento pode ocorrer em apenas cinco minutos. “Acontece muito rápido”, disse o médico emergencista Tom Masters, do hospital Hennepin Healthcare, em Minneapolis. “Esse tipo de tempo é potencialmente mortal e pode causar efeitos de longo prazo.”
Segundo os médicos, os casos de congelamento – chamados de frostbite – costumam aumentar no primeiro grande episódio de frio do inverno, mas neste ano os atendimentos vêm se repetindo a cada nova onda de ar polar. Apenas neste inverno, o hospital já tratou 25 casos de congelamento; no inverno passado, foram 78 no total.
A prevenção é apontada como a principal forma de defesa. Especialistas recomendam vestir várias camadas de roupa, cobrir toda a pele exposta e limitar ao máximo o tempo ao ar livre. Meias de lã, gorros, luvas sob mitenes e calçados bem isolados ajudam a reduzir o risco. Roupas ou luvas molhadas aumentam drasticamente a chance de congelamento e devem ser trocadas imediatamente.
Os médicos alertam que o corpo costuma dar sinais claros. Dor, vermelhidão e irritação da pele podem ser os primeiros sintomas. Com a piora, a pele pode ficar pálida ou dormente e, em casos graves, surgem bolhas, algumas com sangue. Se não tratado, o congelamento pode causar danos permanentes nos nervos ou até levar à amputação.
Em situações suspeitas, o aquecimento deve ser imediato, mas feito da forma correta, com água morna — nunca quente — e sem esfregar a pele. Autoridades também destacam que pessoas em situação de rua estão entre as mais vulneráveis, o que levou à abertura de abrigos emergenciais tanto no Canadá quanto no Norte dos Estados Unidos.
