Os oceanos do planeta passam por um período sem precedentes de aquecimento, mostram dados do Sistema Copernicus publicados nesta quinta-feira. A média diária da temperatura global da superfície do mar (TSM) em águas extrapolares (60°S–60°N) atingiu novos recordes absolutos desde 31 de janeiro, superando o recorde anterior estabelecido em agosto de 2023.

As TSM foram excepcionalmente altas para esta época do ano durante a maior parte de 2023 e início de 2024. No final de fevereiro, temperatura média diária da superfície dos oceanos atingiu um novo máximo absoluto de 21,09°C.

A média mensal de fevereiro de 2024 foi de 21,06°C, por larga margem a mais alta já registrada para o mês, 0,59°C acima da média de fevereiro de 1991–2020. Isso é 0,27°C superior ao recorde anterior de fevereiro, estabelecido em 2016 (20,79°C). É também o maior valor absoluto de todos os meses, superando o recorde anterior de agosto de 2023 (20,98°C).

Embora o atual evento El Niño tenha contribuído de forma importante para as elevadas temperaturas oceânicas observadas nos últimos meses, o fenômeno no Pacífico já começou a enfraquecer e as temperaturas superficiais na região são mais baixas do que em fevereiro de 1998 e fevereiro de 2016.

No entanto, as temperaturas das águas elevadas nas regiões oceânicas fora do Pacífico equatorial são um fator chave para os atuais registros globais recordes de temperatura dos oceanos. Ou seja, este período de aquecimento sem precedentes não se explica só pelo El Niño.

O mapa mostra que as temperaturas da superfície do mar atingiram valores recordes em enormes áreas do Oceano Atlântico (Atlântico Norte, Sul subtropical e Atlântico equatorial), em grandes áreas do Oceano Índico, no setor do Oceano Antártico ao Sul da África do Sul, bem como em várias partes do Oceano Pacífico.

OS oceanos absorvem 90% do excesso de calor na atmosfera associado ao aquecimento global. Como resultado, ondas de calor marinhas em todo o planeta estão se tornando mais longas e mais intensas ao longo do tempo, mostram estudos.

As ondas de calor marinhas causam estresse aos corais e outros ecossistemas marinhos. A exposição a temperaturas extremas por longos períodos causa ainda uma ruptura na relação entre os corais e as algas que vivem dentro deles. O coral fica pálido ou branco, ou seja, branqueado até a sua morte. O nível dos oceanos também se eleva pelo que se denomina da expansão térmica.

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