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Há 20 anos, em 11 de setembro de 2001, uma manhã de tempo ensolarado e de céu azul na cidade de Nova York denunciava que havia algo muito de errado. Como um jato de passageiros poderia se chocar com os edifícios mais altos da cidade no Sul de Manhattan com visibilidade plena às 8h46 da manhã? Em 1945, um avião B-25 havia se chocado com o Empire State Building, mas a cidade estava coberta por denso nevoeiro.

Céu azul denunciava que era muito estranho um avião de passageiros se chocar com a primeira torre atingida em 11 de setembro de 2001 | Henny Ray/AFP/MetSul Meteorologia

Não era o caso da manhã de 11 de setembro de 2001. Quando minutos depois, às 9h03, o segundo avião se chocou com a Torre Sul do World Trade Center não pairava mais dúvida que não era acidente e que os Estados Unidos estavam sob ataque, o que mudaria o curso da história.


A manhã de 11 de setembro de 2001 era tipicamente outonal na cidade de Nova York. Quem olhasse para o céu veria um dia radiante de sol sem nenhuma nuvem no céu. Agosto é o mês com maior número de dias de sol em Nova York, mas setembro está na segunda posição. Um centro de alta pressão atuava naquela fatídica manhã de 2001, garantindo estabilidade atmosférica e tempo muito aberto e ensolarado.

Os atentados terroristas possivelmente não teriam ocorrido se um furacão tivesse atingido o Nordeste dos Estados Unidos naquele dia e havia um na costa. Aeroportos de onde partiram os terroristas em Boston teriam sido fechados ou registrariam cancelamento de voos e a visibilidade em Nova York estaria muito limitada para que fosse possível enxergar as torres a partir das cabines dos aviões.

Ocorre que na véspera, no dia 10 de setembro de 2001, uma frente fria cruzou pelo Nordeste dos Estados Unidos. Trouxe temporal com chuva forte e raios para cidade de Nova York. Só que o seu efeito não limitou aos temporais. A frente impediu que o furacão Erin avançasse para o Nordeste norte-americano, alterando a sua rota.

Carta sinótica de 11 de setembro de 2001 mostrando o centro de alta pressão no Nordeste dos Estados Unidos | NWS/NOAA

O sistema de alta pressão sobre o Nordeste norte-americano e o furacão Erin na costa fizeram que o vento na cidade de Nova York no dia dos atentados soprasse de Norte para Sul, o que fez com que a fumaça das torres em chamas e o colapso dos prédios levassem a poeira da parte Sul de Manhattan para o Sul, em direção à Nova Jersey.

Incrível semelhança de 2001 e 2021

A previsão do tempo para a cidade de Nova York neste sábado que marca o 20º aniversário dos atentados é praticamente idêntica àquela de 20 anos atrás. Manhattan terá um dia mais uma vez ensolarado, o que normalmente poderia se esperar nesta época do ano. Igualmente, a temperatura será muito parecida. A máxima deve chegar aos 26ºC enquanto em 11 de setembro de 2001 foi de 27ºC.


Erin na costa do Nordeste dos Estados Unidos em 2001 | NOAA

Larry na costa do Nordeste dos Estados Unidos em 2021 | NOAA

Estas são coincidências típicas desta época. A mais notável, até porque furacões não são frequentes na costa do Nordeste dos Estados Unidos mesmo sendo o dia 10 de setembro o auge da temporada anual de furacões, é que como em 2001 haja neste momento um furacão sobre o Atlântico a Leste da região.

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Em 2011, quase no dia do décimo aniversário dos atentados, o furacão Katia estava girando em 9 de setembro de 2011 quase no mesmo local que Erin em 11 de setembro de 2001. Assim como Erin, o furacão Katia fez uma curva para a direita antes de chegar à Costa Leste dos Estados Unidos. E, agora, na véspera do vigésimo aniversário dos trágicos acontecimentos, o furacão Larry está na costa do Nordeste dos Estados Unidos, quase na mesma posição de Erin em 2001 e Kátia em 2011.

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