A mais recente atualização mensal divulgada hoje (14) pelo Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA, a agência de clima dos Estados Unidos, reforçou o cenário de rápida transição para um episódio de El Niño nos próximos meses com probabilidade de quase 100% do fenômeno até o fim de 2026.

CPC/NOAA
O gráfico de probabilidades publicado pela NOAA mostra que a chance de El Niño sobe rapidamente já durante o trimestre maio-junho-julho, quando alcança mais de 80%, confirmando o alerta publicado ontem pela MetSul Meteorologia que o começo do El Niño é iminente.
Na sequência, a probabilidade aumenta ainda mais durante o inverno e a primavera do Hemisfério Sul, superando 90% entre julho e setembro, quando o fenômeno deve atingir intensidade forte a muito forte com a caracterização de um Super El Niño.
Os dados indicam que o fenômeno deve se consolidar de forma muito robusta no segundo semestre. Entre os trimestres agosto-setembro-outubro, setembro-outubro-novembro e outubro-novembro-dezembro, a probabilidade de El Niño aparece perto de 98%, praticamente eliminando a possibilidade de neutralidade climática ou retorno de La Niña neste período.
A NOAA passou a utilizar neste ano um novo método de monitoramento chamado RONI (Relative Oceanic Niño Index), substituindo o tradicional ONI. O novo índice busca separar melhor o sinal natural do El Niño do aquecimento global dos oceanos, levando em conta o aquecimento relativo do Pacífico Equatorial em relação ao restante das áreas tropicais.
Mesmo com o novo critério mais rigoroso, as probabilidades indicadas pelo órgão norte-americano são excepcionalmente elevadas. A chance de neutralidade cai rapidamente nos próximos meses e fica perto de apenas 2% a 4% durante grande parte do segundo semestre.
A projeção está em linha com os dados recentes de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial, que mostram aquecimento acelerado nas últimas semanas. Além disso, há enorme quantidade de água muito quente abaixo da superfície do oceano, condição considerada favorável para fortalecimento adicional do fenômeno.
Os impactos do El Niño devem começar a ser sentidos ainda neste outono e no inverno, mas tendem a se intensificar principalmente na primavera e no começo do verão. No Sul do Brasil, historicamente, o fenômeno aumenta o risco de chuva acima da média, temporais, enchentes e cheias de rios, enquanto Norte e Nordeste costumam enfrentar redução de chuva, calor mais intenso e maior risco de seca e queimadas.
A tendência indicada pela NOAA reforça o cenário de um segundo semestre de 2026 marcado por forte influência do Pacífico sobre o clima da América do Sul com ondas de calor no Centro do Brasil, elevação das queimadas no Sul da Amazônia, e tempestades frequentes e cheias de rios no Sul do Brasil, Argentina e Uruguai.