A MetSul Meteorologia alerta que o nível do Guaíba subirá acentuadamente durante os próximos dias com prováveis condições de cheia e que podem ter reflexos nas ilhas de Porto Alegre, embora não se preveja uma cheia de grandes proporções.

Foto do Guaíba cheio nas ilhas de Porto Alegre

Ilhas são a área de risco por elevação do Guaíba nos próximos dias | ALEX ROCHA/PMPA;ARQUIVO

Atualmente, o Guaíba ainda está baixo, já que a chuva que cai em Porto Alegre não tem grandes efeitos sobre o nível, que responde sim à vazão de rios pela chuva que ocorre no Centro, Norte e o Nordeste do estado, e que leva dias para alcançar a área da capital.

No começo da manhã desta terça-feira (21), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 0,96 metro, perto no nível médio histórico desta época do ano. Você acompanha clicando aqui o nível do Guaíba no Centro Histórico com a única estação que não saiu do ar na enchente de 2024.

No entanto, nos próximos dias, se projeta uma acentuada elevação do Guaíba a partir da chegada da vazão dos rios em consequência da chuva que caiu entre domingo (19) e ontem (20) e ainda o que se espera hoje (21) e amanhã (22).

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Choveu muito nas últimas 48 horas nas partes média e final da bacia do Jacuí com marcas entre 50 mm a 150 mm e vai seguir chovendo e com precipitações localmente volumosas nestas áreas. Agora, entre hoje e amanhã, chuva com volumes muito altos passará a afetar também a região das nascentes do Jacuí, no Norte do estado.

Já choveu forte ontem em pontos do Leste do Planalto Médio, Serra e Campos de Cima da Serra, e há previsão de muita chuva entre hoje e amanhã nestas regiões, onde estão as bacias dos rios Taquari e Caí, que também desembocam no Guaíba.

Os volumes de chuva não são excessivos, embora tenha chovido com acumulados altos em alguns pontos nas bacias do Sinos e Gravataí, com previsão de mais chuva para hoje e amanhã, mas os dois rios devem ter menores volumes em suas bacias que o Jacuí e o Taquari, os principais contribuintes do Guaíba.

Sob este cenário, inevitavelmente haverá um acentuado aumento de vazão ao longo dos próximos dias dos rios que desaguam no delta do Jacuí e no Guaíba, o que fará com que o nível suba muito em relação às medições atuais.

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Considerando o que já choveu e ainda vai chover, é muito possível que o Guaíba possa alcançar o patamar de cheia perto, ao redor e acima de 2 metros, e possa atingir marcas que causem alguns alagamentos nas ilhas, onde os primeiros transtornos se registram quando o nível atinge 2,10 a 2,20 metros na régua do Cais Central.

A possibilidade de uma repetição das grandes cheias de setembro de 2023, novembro de 2023 ou maio de 2024 nos próximos dias está totalmente descartada. A tendência é de cheia de magnitude pequena ou no máximo média sem qualquer risco para a parte central da cidade e os eventuais transtornos mais concentrados nas ilhas.

Uma vez que o pico de elevação do Guaíba só ocorre vários dias depois da chuva ocorrida nas bacias dos rios contribuintes e o episódio de chuva ainda está sua metade, a maior elevação do nível se dará entre o final desta semana e o começo da próxima.

Ao redor do período de pico, entre o final desta semana e o começo da próxima, há o risco de voltar a chover depois de uma breve trégua, mas por ora os volumes indicados não são excessivos. Por outro lado, não se projeta nenhuma massa de ar frio forte que pudesse gerar vento Sul forte a intenso com represamento, condição que quando presente pode elevar o Guaíba 30 cm a 50 cm acima do patamar gerado somente por vazão.