O ano de 2026 já contabiliza dez terremotos de magnitude 7 ou superior em diferentes partes do mundo, considerando o forte abalo que atingiu a Colômbia em 10 de agosto. O levantamento do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mostra uma sequência de grandes terremotos concentrada principalmente nas áreas tectonicamente mais ativas do planeta.

Parente de pessoas desaparecidas procura corpos entre os escombros de prédio que desabou em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 13 de julho de 2026, após os terremotos de 24 de junho | MARTIN BERNETTI/AFP/METSUL
Até o terremoto colombiano, o catálogo do USGS contabilizava nove eventos de magnitude 7 ou mais. A relação incluía sismos na Malásia, Tonga, Vanuatu, Indonésia, Japão, Filipinas, Venezuela e México.
O décimo grande terremoto ocorreu na segunda-feira (10), no oeste da Colômbia. O tremor teve magnitude 7,4, com epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó. O abalo provocou destruição em diversas cidades e deixou dezenas de mortos, além de centenas de feridos.
O terremoto colombiano foi particularmente significativo por atingir uma região do Anel de Fogo do Pacífico, uma extensa faixa que concentra grande parte da atividade sísmica e vulcânica mundial. O país está situado em uma área de interação entre diferentes placas tectônicas, o que explica a ocorrência frequente de terremotos.
Ásia e Pacífico concentraram os primeiros grandes abalos
A sequência de terremotos M7+ começou em 22 de fevereiro, quando um tremor de magnitude 7,1 atingiu a região da Malásia. O evento abriu uma série de grandes terremotos que, nos meses seguintes, se concentrou principalmente no Pacífico.
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Em 24 de março, Tonga foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5. Seis dias depois, em 30 de março, foi a vez de Vanuatu, com um abalo de 7,3.
A atividade continuou no Sudeste Asiático. Em 1º de abril, um terremoto de magnitude 7,4 ocorreu na Indonésia. No dia 20 do mesmo mês, o Japão registrou outro grande tremor, também de 7,4.
O maior terremoto registrado até agora em 2026 ocorreu em 7 de junho, nas Filipinas. O USGS classificou o evento como de magnitude 7,8, com epicentro na região de Kablalan.
Dois terremotos de grande magnitude em segundos
Junho também foi marcado por uma sequência excepcional na Venezuela. Em 24 de junho, o país foi atingido por dois terremotos de magnitude 7 ou superior praticamente em sequência. O primeiro teve magnitude 7,2, seguido apenas 39 segundos depois por outro de 7,5.

Homem observa prédio destruído pelos terremotos de 24 de junho em Caraballeda, na Venezuela, em 17 de julho de 2026 | RAUL ARBOLEDA/AFP/METSUL

Moradores sentam-se entre os escombros de prédio residencial que desabou após os terremotos de 24 de junho em Caraballeda, na Venezuela, em 20 de julho de 2026 | FEDERICO PARRA/AFP/METSUL

Voluntários e socorristas puxam uma corda para remover escombros durante operação de busca em prédio residencial que desabou em Caraballeda, na Venezuela, em 12 de julho de 2026 | JUAN BARRETO/AFP/METSUL
Os dois ocorreram no norte do país, na região de Yumare, e foram registrados pelo USGS como eventos distintos. A sequência venezuelana chamou atenção não apenas pela magnitude, mas também pela proximidade temporal dos dois eventos, quase simultâneos.
Menos de um mês depois, em 17 de julho, um terremoto de magnitude 7,3 atingiu o México, completando nove eventos M7+ catalogados pelo USGS antes do grande terremoto colombiano.
Terremotos se concentram no Pacífico
Com o terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia, 2026 chegou a dez terremotos M7+ até 10 de agosto. A distribuição dos eventos mostra uma forte concentração no chamado Anel de Fogo do Pacífico, embora os terremotos também tenham atingido regiões da Ásia continental e do Caribe.
A sequência, entretanto, não significa que exista uma única “onda sísmica” envolvendo todo o planeta. Os terremotos são resultado de processos tectônicos locais, relacionados ao movimento e à interação das placas da crosta terrestre.
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Também é importante destacar que a ocorrência de vários terremotos fortes em diferentes partes do mundo não permite, por si só, prever que um grande terremoto ocorrerá em determinada região. A sismologia ainda não consegue indicar com precisão quando e onde acontecerá um terremoto individual.
Mais terremotos que o normal?
Segundo o histórico do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o planeta registra, em média, cerca de 16 grandes terremotos por ano com magnitude igual ou superior a 7,0. Desse total, aproximadamente 15 eventos ficam entre magnitude 7,0 e 7,9, enquanto cerca de um terremoto por ano atinge magnitude 8,0 ou superior. A média é baseada no histórico de registros sísmicos desde 1900.

AFP
O número de grandes terremotos, porém, apresenta variações significativas de um ano para outro. Em 2010, por exemplo, o USGS registrou 23 terremotos de magnitude 7,0 ou maior, enquanto em 1989 foram apenas seis. Segundo o órgão, essas oscilações são consideradas flutuações estatísticas normais da atividade tectônica e, por si só, não indicam que esteja ocorrendo um aumento da atividade sísmica global.
Magnitude 7 significa enorme liberação de energia
A magnitude dos terremotos é medida em uma escala logarítmica. Assim, uma pequena diferença numérica representa uma diferença muito grande na energia liberada. Um terremoto de magnitude 8, por exemplo, libera aproximadamente 32 vezes mais energia que um terremoto de magnitude 7. Da mesma forma, o tremor de 7,8 nas Filipinas liberou várias vezes mais energia que o terremoto de 7,1 registrado na Malásia.
Terremotos dessa magnitude podem produzir forte destruição, especialmente quando ocorrem próximos de áreas povoadas e em profundidades relativamente rasas. Os efeitos dependem, porém, de fatores como profundidade, distância dos centros urbanos, características do solo, qualidade das construções e duração do tremor.