Modelos de clima com tendências para meses à frente consolidara em suas atualizações mensais na primeira semana de setembro o pico do El Niño para novembro e dezembro com anomalias de temperatura da superfície do mar em torno de +4ºC, de acordo com a análise da MetSul Meteorologia.

Nunca se viu El Niño com tamanha intensidade em setembro | NOAA
De acordo com o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar pelo tradicional índice ONI (Índice Oceânico Niño) era de +2,7ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito forte. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño.
Em comparação histórica, fazendo uso de dados pelo índice ONI dos principais eventos de El Niño dos últimos 50 anos, na primeira semana de setembro a anomalia era de 1,6ºC em 2023; 1,7ºC em 2015; 2,1ºC em 1997; e 0,6ºC em 1982.
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A NOAA passou a utilizar neste ano um segundo índice, chamado de Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que faz uma compensação com o aquecimento dos oceanos tropicais, e que mostra hoje uma anomalia na Região Niño 3.4 de +1,8ºC, na categoria de El Niño forte.
El Niño já está entre os mais intensos da história
A intensidade do episódio do El Niño de 2026-2027, com anomalia de +2,8ºC pelo índice ONI, já coloca o evento deste ano entre os mais intensos já observados na era moderna, superando episódios marcantes das últimas décadas.
Levantamento da MetSul com base em dados semanais da NOAA e calculados pelo método ONI mostra que o maior valor de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño foi registrado no evento de 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana de 18 de novembro de 2015, seguido por 2,6°C no episódio de 1982-1983, na semana de 29 de dezembro de 1982.
Com dados do ONI, nunca nos tempos modernos o Pacífico atingiu o patamar de Super El Niño tão precocemente como em 2026. O primeiro dado semanal com anomalia de +2ºC foi na semana de 8 de julho. No de 1982-1983, a anomalia só alcançou +2ºC na semana de 24 de novembro. No Super de 1997-1998, a primeira semana com intensidade muito forte apenas ocorreu em 3 de setembro. E no grande evento de 2015-2015, o patamar de Super El Niño foi atingido pela primeira vez somente na semana de 16 de setembro.
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Modelos indicam pico no fim do ano
Modelos numéricos apresentam consenso que o pico deste evento como normalmente ocorre, deve se dar no final do ano. Algumas simulações apontam a intensidade máxima em novembro e outros em dezembro.

Modelo de clima norte-americano projeta pico ao redor de +4ºC no fim do ano | NOAA

Modelo de clima europeu projeta pico ao redor de +4ºC no fim do ano | ECMWF
A mediana dos dados hoje aponta que o atual evento pode atingir no pico de intensidade no final deste ano valores próximos ou ao redor de +4°C de anomalia na principal região de monitoramento do El Niño (Niño +3.4), com base no tradicional índice de monitoramento ONI (Oceanic Niño Index).
Caso se confirme, será valor muito acima do patamar de +2°C utilizado para caracterizar informalmente um Super El Niño, o que pelo índice ONI já foi atingido ainda em julho, e não apenas superaria por larga margem os picos de todos os eventos do fenômeno no século 20 como colocaria o episódio atual em território excepcional e jamais observado em 170 anos de observações.
A intensidade também chama atenção porque o aquecimento de 2026 vem ocorrendo em uma velocidade extraordinária. O evento atual já supera o ritmo de desenvolvimento observado durante o Super El Niño, em 2015-2016, e se aproxima rapidamente do pico daquele episódio. A evolução acelerada é um dos aspectos que mais impressionam os meteorologistas e climatologistas que acompanham o fenômeno.