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O fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico na região equatorial, atua desde agosto. Os impactos do fenômeno são sentidos no Brasil e ao redor do mundo. Veja a seguir neste pergunta e resposta as principais dúvidas sobre a situação do fenômeno hoje no Pacífico e o que esperar para os próximos meses.

O fenômeno La Niña continua?

Sim. Desde agosto, segundo análise da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a NOAA, o fenômeno La Niña está presente no Oceano Pacífico em sua área equatorial. Todos os centros meteorológicos do mundo, sem exceção, indicam a atuação hoje do fenômeno no Pacífico e versões absolutamente isoladas e minoritárias que não há La Niña não são corroboradas por absolutamente nenhum centro nacional de Meteorologia em qualquer parte do mundo.


Qual a intensidade do fenômeno La Nina hoje?

O último boletim da NOAA indicou que a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central, a denominada região Niño 3.4, foi de -1,1ºC na semana que passou. Esta é a região utilizada para classificar a existência ou não de La Niña ou El Niño no Pacífico e o valor de -1,1ºC está dentro do território de intensidade moderada que vai de -1,0ºC a -1,4ºC. Já o Pacífico Leste Equatorial, perto da América do Sul, que é conhecido como região Niño 1+2, apresentou na última semana uma anomalia de -0,5ºC. Este valor é limite entre neutralidade e La Niña, mas esta região não é a utilizada para se classificar a existência do fenômeno. Por outro lado, esta parte do Pacífico tem uma forte influência no regime de chuva no Sul do Brasil e um maior ou menor resfriamento influi na maior ou menor ocorrência de chuva na região. Assim, o fato desta parte do Pacífico não estar tão fria atualmente é relevante.


Como pode ter chovido bastante nos últimos dias em algumas regiões se estamos sob La Niña?

A estatística histórica mostra que ao menos um mês com fenômeno La Niña, em alguns anos até dois, costumam ter mais chuva. Na maioria dos anos, este mês mais chuvoso no Rio Grande do Sul e no Sul do Brasil é janeiro. Assim, este período recente com mais chuva não foge muito ao que poderia se esperar sob La Niña, inclusive porque a chuva abaixo da média começou um mês mais cedo do que o habitual neste ano.

O fenômeno La Niña segue nos próximos meses?

Sim. A tendência é a manutenção do fenômeno La Niña durante todo o verão no Oceano Pacífico. Mais, a maioria dos dados de modelos climáticos indica que persistiria ainda ao menos em parte do próximo outono. Alguns dados chegam a sugerir que poderia chegar mesmo ao inverno de 2021, mas são projeções menos confiáveis. Os gráficos mostram que existe ainda muita água fria abaixo da superfície, sinalizando que tem ainda bastante água fria para alcançar a superfície, o que sinaliza a continuidade do fenômeno durante os próximos meses.


O La Niña já atingiu sua maior intensidade ou seu pico?

É uma possibilidade. A anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Central Equatorial chegou a -1,7ºC em meados de novembro e hoje está em -1,1ºC. A maioria dos modelos sinaliza que a tendência é se manter fraco a moderado no decorrer do verão, mas um modelo climático ou outro, caso do gerado pela NASA, sinaliza a possibilidade de um duplo pico com o segundo ocorrendo no mês de fevereiro.

A continuidade do La Niña significa que haverá estiagem?

A diminuição da chuva e sua maior irregularidade são características da atuação da La Niña no Sul do Brasil, mas, como destacado, é normal que um ou dois meses acabem sendo mais chuvosos. O que vários modelos climáticos apontam hoje é que entre estes meses de dezembro e janeiro haveria uma condição mais favorável para chuva no Sul do Brasil, mas que entre fevereiro e março a chuva poderia ficar mais escassa.

Existe alguma região que traz maior preocupação?

A grande maioria dos dados indica que deve chover mais na Metade Norte que na Metade Sul gaúcha nos próximos meses, o que, aliás, está de acordo com a climatologia histórica do verão. Há uma preocupação da MetSul sobre irregularidade de chuva com déficit hídrico maior para o Oeste gaúcho e o Sul do Estado, em particular a Campanha. Áreas mais próximas da costa teriam acumulados de chuva maiores. Anos análogo, ou seja, com características semelhantes, que tem aparecido em diversas análises é 2006 em que a chuva foi mais escassa no Oeste e no Sul gaúcho com situação melhor na Metade Norte gaúcha.

É possível já antecipar alguma tendência para o outono que coincide com a colheita?

Com a perspectiva de continuidade do fenômeno La Niña, o começo do outono poderá ter tempo mais seco e menos chuva que o habitual. Outra consequência possível é a chegada do frio mais cedo em 2021. Tudo vai depender da anomalia na região Niño 1+2, uma vez que no próximo semestre a tendência é das águas mais frias migrarem mais para Oeste no Pacífico. Um aquecimento maior com anomalias positivas do Pacífico Leste poderia levar a uma condição de La Niña Modoki com efeitos contrários ao que poderia se esperar sob La Niña.