Uma poderosa corrente de jato em baixos níveis da atmosfera (JBN) traz uma quinta-feira de muito vento no Rio Grande do Sul com rajadas de vento de 60 km/h a 90 km/h em muitas cidades e picos de vento até próximos e acima de 100 km/h em alguns municípios.

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Até o meio da tarde, devido ao posicionamento da corrente de jato, o vento foi mais forte na Campanha, Oeste, Missões, Centro e Planalto Médio, embora tenha ventado muito em pontos dos vales e da Serra.
Estações meteorológicas registraram até às 15h desta quinta (7) rajadas de vento de 109 km/h em Boa Vista das Missões, 93 km/h em Júlio de Castilhos, 92 km/h em São Gabriel, 91 km/h em São José dos Ausentes, 89 km/h em Bagé, 84 km/h em Pedras Altas e São Luiz Gonzaga, 81 km/h em Campo Bom e Passo Fundo, e 80 km/h em Lajeado e Espumoso.
A rede observacional apontou ainda vento nas rajadas de 77 km/h em Santo Ângelo, Soledade, Jaguari, Itaqui e Picada Café, 76 km/h em Alegrete, 74 km/h em Santiago, 73 km/h em Tupanciretã, 72 km/h em Rolante e Encruzilhada do Sul e 71 km/h em Cambará do Sul, Canela e Cruz Alta.
A corrente de jato em baixos níveis se intensificou muito sobre o Rio Grande do Sul nesta quinta-feira devido à formação de um potente ciclone extratropical na costa argentina e que vai se converter em um ciclone bomba nesta sexta (8) devido ao aprofundamento muito rápido esperado.
Em termos leigos, a corrente de jato em baixos níveis é uma corrente de ar estreita encontrada na baixa atmosfera, normalmente em torno do nível de pressão de 850 hPa (ou cerca de 1500 metros de altitude), atuando entre um e dois quilômetros de altura.
Ou seja, é um corredor de vento nas camadas baixas da atmosfera. Tal como as principais correntes de jato, as polares e subtropicais, são “rios” na atmosfera, embora em menor escala e geralmente em velocidades mais lentas. Da mesma forma, são o resultado de gradientes (diferenças) de temperatura em altitudes mais baixas, que levam a um gradiente de pressão e um fluxo de ar perpendicular a esse gradiente.
Estas correntes de jato em baixos níveis (JBN) a Leste dos Andes que trazem ar quente costumam se originar na Bolívia ou no Centro-Oeste do Brasil e apresentam, em regra, uma extensão de centenas de quilômetros do Sul da região amazônica até a bacia do Rio Praia. No Prata, o jato costuma recurvar em direção a Leste para o Atlântico.
São estes episódios de JBN que trazem vento Norte seco quente de forte intensidade às vezes para o Rio Grande do Sul, especialmente precedendo frente fria acompanhada de um ciclone extratropical mais profundo, sobretudo no inverno.
São as situações em que não raro o vento Norte sopra com velocidades perto ou acima de 100 km/h na região de Santa Maria e nos vales, elevando a temperatura noturna para marcas ao redor ou acima de 30ºC, mesmo durante o inverno, em razão do que se denomina de aquecimento adiabático. O vento desce a encosta dos morros e superaquece por compressão, gerando alta temperatura nos vales e baixadas.