Um forte temporal atingiu Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, na manhã desta quinta-feira (7), e deixou um rastro de destruição na cidade com destelhamentos, quedas de árvores, postes e outros danos.

Temporal causou estragos em Livramento na manhã de hoje | DUDA PINTO
Rajadas intensas de vento associadas ao avanço de uma frente fria intensa derivada de um ciclone e vento muito forte decorrente de uma corrente de jato intensa em baixos níveis da atmosfera causaram destelhamentos, queda de árvores, postes e bloqueios em diferentes pontos do município.
Um anemômetro no alto de uma torre de aerogerador no parque eólico de Livramento anotou rajada de vento de 130 km/h. Em superfície, as rajadas ficaram ao redor dos 100 km/h. Houve danos no parque eólico.
A tempestade veio acompanhada de chuva forte e intensa atividade elétrica. Imagens registradas por moradores mostraram a chegada de nuvens carregadas ainda durante a madrugada, antecedendo a fase mais severa do temporal.
Em vários bairros, residências sofreram danos e houve interrupção no fornecimento de energia elétrica. Um dos pontos atingidos foi a rodoviária de Santana do Livramento. Parte da estrutura do teto desabou na área de compra de passagens, levando à desativação temporária do terminal. Os ônibus passaram a operar a partir da garagem de uma empresa de transporte até que a situação fosse normalizada.
A força do vento também causou transtornos no acesso ao município. Trechos da BR-158 ficaram bloqueados devido à queda de árvores e galhos sobre a pista. Equipes trabalharam ao longo do dia para liberar vias e atender ocorrências relacionadas aos estragos provocados pela ventania.
Na cidade vizinha de Rivera, no Uruguai, um vídeo compartilhado nas redes sociais mostrou o momento em que o teto de uma residência foi arrancado pela força do vento e levado pelos ares.
Diante da gravidade da situação, a prefeitura suspendeu as aulas presenciais na rede municipal. A Defesa Civil segue atendendo famílias atingidas, distribuindo lonas e monitorando áreas afetadas. Autoridades orientam a população a evitar deslocamentos desnecessários enquanto persistirem as condições de instabilidade.
Temporal na fronteira é o começo de uma onda de tempestades
Assim como já alertado pela MetSul Meteorologia, uma frente fria associada a um ciclone bomba vai avançar pelo Sul do Brasil entre esta quinta-feira (7) e sexta-feira (8) com alto risco de tempo severo, vendavais e possibilidade de fenômenos extremos isolados, como microexplosões e até tornados.
O sistema meteorológico está ligado a um processo de ciclogênese explosiva em desenvolvimento na costa da Argentina e do Uruguai. Para que um ciclone seja classificado como ciclone bomba, é necessário que a pressão atmosférica em seu centro caia ao menos 24 hPa em 24 horas, condição indicada pelos modelos meteorológicos para este evento.
Embora o centro do ciclone permaneça distante do território brasileiro, seus efeitos serão sentidos em amplas áreas do continente. O sistema favorece uma intensa corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, um corredor de vento quente localizado em torno de 1500 metros de altitude que transporta ar tropical em direção ao Sul da América do Sul.
Os modelos apontam vento entre 100 km/h e 130 km/h em altitude durante esta quinta-feira e o começo da sexta, parte desta energia sendo transferida para a superfície, especialmente em áreas de relevo favorável.
No Rio Grande do Sul, o vento Norte deve soprar com rajadas de 40 km/h a 60 km/h na maior parte das cidades, mas em áreas de encosta, vales e Serra as rajadas podem atingir 70 km/h a 90 km/h e isoladamente superar os 100 km/h.
A corrente de jato também favorece temperaturas muito elevadas para maio, especialmente em áreas próximas de morros e vales, onde o aquecimento adiabático pode elevar as marcas acima dos 35°C.
O maior risco, entretanto, está associado à passagem da frente fria. O ambiente atmosférico terá enorme quantidade de energia disponível devido ao calor pré-frontal combinado com a intensa dinâmica produzida pelo ciclone.
Há alerta para temporais isoladamente fortes a severos com vendavais, granizo e chuva intensa em curto período. Grande parte do Rio Grande do Sul deve registrar rajadas entre 60 km/h e 90 km/h durante a passagem da frente, mas alguns pontos podem ter vento acima de 100 km/h com potencial para provocar destelhamentos, queda de árvores, postes e colapso de estruturas.
O risco de tempestades severas se estende ainda a Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo entre sexta-feira e sábado.
A combinação entre a intensa corrente de jato em baixos níveis e o forte cisalhamento do vento cria um ambiente extremamente favorável à formação de supercélulas, tempestades rotativas capazes de gerar tornados.
Frio e vento após os temporais
Após a passagem da frente fria, o ciclone ainda vai impulsionar uma massa de ar frio de trajetória continental, trazendo queda acentuada da temperatura entre sexta-feira e sábado. O ingresso do ar polar ocorrerá com vento forte de Oeste a Sudoeste, com rajadas de 60 km/h a 80 km/h e isoladamente superiores, inclusive na área de Porto Alegre, enquanto o fim de semana ainda deve seguir ventoso na costa e no extremo Sul gaúcho pela influência do poderoso ciclone no Atlântico Sul.