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A quinta-feira foi um dos dias mais aguardados deste ano pela comunidade científica e se mostrou eletrizante pelas reviravoltas para quem acompanha o espaço. O cometa ISON, que alguns chegaram exageradamente a descrever como o “cometa do século” teve ontem às 16h45m (hora de verão de Brasília) o seu periélio, o ponto de maior aproximação do Sol.


Astrônomos no mundo todo afirmavam com razão que era impossível dizer se o cometa sobreviveria à interação com o Sol e estavam certos, a julgar pela sucessão de fatos e análises depois do periélio. No fim da tarde, especialistas da NASA informaram durante teleconferência (Google+ Hangout) que ISON não tinha sobrevivido à interação com a corona do Sol. A informação imediatamente virou notícia na imprensa do mundo inteiro: o cometa havia sido destruído e ISON era passado.


No começo da noite, porém, começou uma reviravolta incrível e emocionante de acompanhar. Imagens mostravam que a cauda do cometa havia reaparecido, o que gerou dúvidas se o anúncio da NASA havia sido errado e prematuro. Publicou no Twitter a Agência Espacial Européia (ESA): “Parece que uma parte de ISON sobreviveu”. A esperança durou minutos. Logo depois a ESA juntou-se à analise americana. “Nosso cientistas do projeto SOHO afirmam que ISON acabou”, disse a ESA em seu Twitter. A cauda pode ter resistido por um tempo, mas o núcleo do cometa tinha se desintegrado, acrescentou a ESA.


Ocorre que mesmo depois dos anúncios da NASA e ESA, as duas principais agências espaciais do mundo, ainda havia muitos cientistas intrigados que o cometa pudesse ter sobrevivido. A confusão era absoluta e alguns dos maiores especialistas em cometas do mundo não sabiam o que estava ocorrendo. Uma conta no Twitter americana dedicada à Astronomia descreveu: “Está agora muito claro que ISON sobreviveu ou não sobreviveu, ou talvez as duas coisas”. No Twitter, o astrônomo especialista em cometas Karl Battams, que participou da teleconferência da NASA durante a tarde, quando sentenciou a morte de ISON, escreveu: “Já vi literalmente uns dois mil cometas que encontraram o Sol e nunca vi um se comportar como esse”.


Com uma avalanche de dados das sondas de monitoramento solar mostrando o contrário do que se tinha na véspera, tanto a NASA como a ESA voltaram atrás nos seus anúncios de morte de ISON. Nesta sexta, as agências espaciais americanas e européia confirmaram o que já se suspeitava ontem: o começo ISON perdeu massa, mas sobreviveu a sua passagem pelo Sol.

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As dúvidas, entretanto, seguem sobre ISON. Pesquisadores da ESA acreditam hoje que grande parte do núcleo do cometa se desintegrou. Todos os especialistas dizem que ainda é impossível dizer se ISON será visível para a olho nu neste fim de ano e qual será a visibilidade (ou magnitude) do cometa no céu. Se por um lado o cometa sobreviveu ao Sol, por outro o prometido show no céu para os entusiastas está longe de garantido.