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Potente linha de instabilidade, não antecipada corretamente pelos modelos numéricos, foi responsável por trazer tempo muito severo ontem para o Centro da Argentina e o Oeste do Uruguai. Na Argentina, os danos mais graves ocorreram em Arrecifes, Norte da Província de Buenos Aires, durante tempestade no fim da tarde do sábado. O vento destrutivo decepou troncos de árvores, virou veículos pesados como caminhões, derrubou postes e árvores, e causou destelhamentos. Há depoimentos de carros que viraram no a. Não houve vítimas fatais, apesar da forte suspeita ser de que um tornado tenha passado pela localidade, uma vez que os danos se concentraram numa faixa delimitada (fotos publicadas pelo site Arrecife Digital).



É possível que a mesma formação em arco que passou pelo Norte de Buenos Aires tenha sido a causa do violento temporal que se abateu sobre o temporal de Soriano, Sudoeste do Uruguai, imediatamente na sequência. A região entre Mercedes e Soriano foi duramente atingida mais uma vez, já que no final de 2012 já tinha suportado danos por um tornado. Houve queda de postes, árvores e destelhamentos. Os piores danos se concentram na zona rural. Imagem de radar das 20h (hora de Brasília) mostrava um arco bem definido e o seu vórtice exatamente sobre Dolores (fotos dos danos do noticiário Subrayado).


No Rio Grande do Sul, não houve registro de eventos de tempo muito severo neste fim de semana. A linha de instabilidade trouxe rajadas de vento forte para a fronteira com o Uruguai no começo do domingo, mas sem maiores consequências. O que houve foi muita chuva em parte do interior. Apenas no sábado choveu 75 mm em Nova Bassano e 80 mm em Santa Rosa. Volumes de chuva localmente elevados, de até 150 mm, foram registrados entre sexta e hoje em cidade do interior do Estado, notadamente no Oeste e no Noroeste. Acumulados altos por pancadas de chuva torrencial foram anotados também em pontos isolados do Norte e do Centro do Estado. No Sul e no Leste do Rio Grande do Sul, o que compreende a região de Porto Alegre, a chuva foi muito mais escassa, apesar dos três dias terem tido períodos de instabilidade na região. Na maioria das zonas da Capital, a chuva acumulada nestes três dias foi inferior a 5 mm, volumes absolutamente irrisórios e ínfimos.


Fim da tarde de domingo em Porto Alegre (Eduardo Straliotto)

A estação do Instituto Nacional de Meteorologia em Santa Rosa registrou somente entre sexta e hoje um volume de 138,8 mm. Os acumulados de chuva em cinco dias (entre anteontem e a terça) poderão atingir em alguns pontos do Oeste e do Norte do Rio Grande do Sul valores de 200 mm a 300 mm, conforme várias projeções computadorizadas analisadas pela MetSul Meteorologia. Há modelos apontando volumes isolados de até 400 mm, mas, pela excepcionalidade do valor, o número obviamente é encarado com a devida cautela. A chuva, de acordo com quase a unanimidade dos modelos, será mais intensa nesta primeira metade da semana na Metade Norte do Estado e parte de Santa Catarina, especialmente no decorrer da terça. Como a faixa central do Rio Grande do Sul está no limite geográfico das Metades Sul e Norte do Estado e projeções de distribuição espacial da chuva pelos modelos, pela resolução da grade, não raro falham, a terça será dia que exigirá atenção no Centro do Estado para a eventualidade das intensas precipitações prognosticadas ao Norte se situarem mais ao Sul.  


Com o que já choveu até o momento e o que se espera choverá até o fim da terça é inevitável lançar-se advertência sobre possível forte elevação dos níveis dos rios com risco de cheias, sobretudo para bacias do Oeste e o Norte do Estado. Rios como Uruguai e Ijuí estão entre os de maior risco. O Uruguai preocupa mais pelo excesso de chuva também no lado argentino (Corrientes e Missiones) e no Oeste catarinense. A Serra, região das nascentes dos rios que cortam os vales (Taquari, Sinos e Caí), deve ter chuva forte, principalmente na terça-feira, mas os volumes projetados pelos modelos neste domingo, apesar de elevados, não são suficientes para se determinar um alto risco de cheias, mas o quadro certamente exige atenção.



Modelo de análise hidrológica usado pela MetSul aponta risco maior de vazão acima da média na Bacia do Rio Uruguai

A atmosfera está ainda muito propícia a temporais de chuva forte a intensa com elevados volumes em curto período, o que acentua o risco de alagamentos, no Sul e no Sudeste do Brasil. Ontem, São Paulo alagou pelo segundo dia seguido por uma forte tempestade no fim da tarde e que deixou dois mortos. Também ontem Florianópolis e Balneário Camboriú sofreram com intensas precipitações. Este cenário de temporais isolados com chuva forte, vendavais e queda de granizo inclui o Rio Grande do Sul amanhã e terça, especialmente porque haverá o avanço de frente fria que depois se intensificará mais na Metade Norte numa atmosfera quente e úmida.

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