Infestação massiva de mosquitos em Buenos Aires. Quantidade de mosquitos é tão fora do comum que chegam a formar nuvens no céu. | REPRODUÇÃO

A cidade de Buenos Aires, a sua região metropolitana e outras cidades da província de Buenos Aires enfrentam desde o começo da semana infestação massiva de mosquitos que chegam a formar nuvens escuras no ar. Os mosquitos também atormentam desde o começo do verão no outro lado do Rio da Prata, no Uruguai.

O aumento de mosquitos na cidade e província de Buenos Aires, que formam “nuvens” no ar, é um “pico de abundância” da espécie Aedes albifasciatus, conhecido como “mosquito da enchente” e transmissor da Encefalite Equina Ocidental, e sua redução pode levar até 10 dias, explicam biólogos argentinos. Os especialistas recomendaram intensificar o “uso de repelentes e mosquiteiros”.

“Este é um pico de abundância da espécie Aedes albifasciatus após uma estação chuvosa, fenômeno que afeta principalmente a região dos Pampas, onde se formam grandes poças”, disse Maximiliano Garzón, pesquisador do Grupo de Estudos de Mosquitos da Faculdade de Ciências Naturais (FCEN) da Universidade de Buenos Aires (UBA, para a agência Télam.


Conforme explicou o cientista, após as chuvas abundantes na região, as áreas alagadas tornam-se o ambiente favorável para a eclosão simultânea dos ovos do “mosquito da enchente” que se acumulam nesses locais. “Esse pico de abundância vai diminuir em 10 dias ou uma semana, embora dependa se voltar a chover e se mais mosquitos se reproduzirem nas poças de parques e praças”, afirma.

Seu desenvolvimento, que depende da temperatura das poças, pode durar entre sete e oito dias após as chuvas, o que resulta na presença massiva dessa espécie de mosquito silvestre.

O Aedes albifasciatus é a espécie transmissora do vírus da Encefalite Equina Ocidental (WEE), que no ano passado provocou um surto em cavalos no Centro e Norte do país. Segundo o último boletim epidemiológico da pasta de saúde de Buenos Aires, existem atualmente 42 casos positivos distribuídos em 30 municípios da província.


Este vírus “não apresenta grandes riscos para os humanos e aparentemente seria controlado com o programa de vacinação em cavalos e as medidas pertinentes”, disse Garzón. A última invasão dessa espécie de mosquito foi no final do ano passado e primeiros dias de janeiro.

Nuvens de mosquitos

A quantidade de mosquitos é tão grande que eles se acumulam às centenas nas paredes de residências e comércios. Usuários compartilharam vídeos e imagens que mostram grandes “nuvens” de mosquitos que afetaram a cidade de Buenos Aires durante os últimos dias.

O Ministério do Espaço Público e Higiene Urbana da Cidade de Buenos Aires reforçou o plano de desinfestação em espaços verdes, parques e praças com intervenções adicionais nos maiores espaços verdes de Buenos Aires, conforme informado oficialmente.

Devido à proliferação massiva de mosquitos, as operações que normalmente são realizadas mensalmente agora ocorrem semanalmente ou quinzenalmente em grandes parques. No total, foram realizadas 3.561 operações desde dezembro passado, depois de se ter confirmado uma “muito elevada abundância de larvas” de Aedes albifasciatus em espaços verdes e a presença de mosquitos adultos em vários bairros, especificou a pasta.

Enquanto isso, a Prefeitura de La Plata também confirmou através de pesquisadores do Centro de Estudos Parasitológicos e Vetores a presença abundante da espécie Aedes albifasciatus, após a combinação de aumento de umidade, calor e chuva. O município de La Plata solicitou aos moradores que utilizassem elementos de proteção individual, como repelentes, e que usassem roupas leves que cobrissem a maior parte do corpo.

A Prefeitura de La Plata anunciou a fabricação e entrega de 2.000 repelentes em diversos bairros da cidade, diante da invasão de mosquitos que mais uma vez atinge a região após as chuvas registradas nos últimos dias. O repelente em sua versão spray é fabricada no Laboratório de Especialidades Medicinais, sendo distribuído gratuitamente em todos os Centros de Atenção Básica de Saúde.

Dengue na Argentina

Segundo comunicado do Ministério da Saúde da Argentina, com dados registrados até 31 de janeiro deste ano, foram registrados 27.430 casos de dengue, dos quais 26.010 autóctones, 872 importados e 548 estavam em investigação.

As autoridades pediram à população que não tenha água parada nas suas casas, que use repelentes, roupas leves, repelentes contra mosquitos nos espaços interiores e exteriores, coloque redes mosquiteiras nas portas e janelas e proteja as camas e berços com redes mosquiteiras.

A instituição destacou ainda que o período de incubação da dengue, zika e chikungunya é de 2 a 7 dias e quem adoece apresenta sintomas como febre superior a 38°C, além de dor atrás dos olhos, dor de cabeça e dores musculares e/ou articulares; náusea e vômito; fadiga intensa; aparecimento de manchas na pele e coceira; sangramento de mucosas, principalmente nariz e gengivas; e distúrbios sensoriais, ciclos de sonolência e irritabilidade.

Mais de 1.000 casos de dengue foram classificados como prováveis ​​ou confirmados de junho de 2023 a fevereiro deste ano na cidade de Buenos Aires, registrados nas 15 comunas portenhas, e as autoridades consideraram a situação de “alto risco”. De acordo com os últimos dados do Boletim Epidemiológico elaborado pelo Ministério da Saúde de Buenos Aires, 1.054 casos “prováveis ou confirmados” de dengue foram registrados desde a semana epidemiológica 27, a partir de junho de 2023, até o momento.

Mosquitos no Uruguai

O Uruguai também enfrenta um número acima do normal de mosquitos há semanas. Em Montevidéu, a praga forçou intervenção da prefeitura. Muitos mosquitos podiam ser vistos em estabelecimentos de áreas turísticas da capital uruguaia como a 18 de Julio e a Calle Sarandi.

Especialista destacou que é um fato que se repete no verão austral, mas reconheceu que neste momento a peste afetou mais Montevidéu e outras zonas do país, onde foi confirmado pelo Laboratório de Vetores da Faculdade de Medicina de Udelar.

Explicou que os “três gêneros de mosquitos de maior importância médica” que circulam no Uruguai são Aedes aegypti, Culex e Anopheles. Embora o primeiro deles seja aquele a que é sempre dada maior importância, devido às doenças que transmite, como a dengue, este ano o alarme também foi dado pelo surto de encefalite equina.

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