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O Norte do Rio Grande do Sul enfrenta neste momento uma das maiores enchentes das últimas décadas e que se aproxima da cheia recorde do ano de 1983. Pode até mesmo superar a marca do ano de Super El Niño, quando o Sul do Brasil foi castigado por uma sucessão de eventos extremos de precipitação com inundações catastróficas que trouxeram enorme saldo de destruição e vítimas. O nível do Rio Uruguai em Iraí nesta manhã está perto da marca de 18 metros acima do nível normal, recorde atingido na inundação de 1983 na localidade do Médio Uruguai (fotos abaixo do arquivo da Prefeitura Municipal de Iraí). Já em Porto Mauá, o recorde do ano de 1983 é de 21,70 metros e não se descarta que possa ser alcançado nesta cheia.


O tempo não firma nas áreas atingidas pelas cheias hoje e no fim de semana, e se prevê mais chuva para as áreas inundadas. O pior da chuva no Noroeste e no Norte do Estado já passou, mas a manutenção das precipitações nas áreas sob enchentes agrava a situação. Mantém os rios altos e subindo, e aumenta o risco de deslizamentos de terra e queda de barreiras. A chuva mais forte hoje deve ocorrer em Santa Catarina e nas áreas próximas da divisa com o estado vizinho no Norte gaúcho. No domingo até podem ocorrer períodos de melhorias nestas regiões mais castigadas com diminuição da nebulosidade e até aberturas de sol, mas ainda se espera chuva passageira, mais localizada e com volumes menores. Esta melhoria alcançará o Norte e o Nordeste do Estado e poderá ser observada em parte do domingo em pontos da Serra e da região de Porto Alegre. Na segunda e na terça-feira, o sol aparece com nuvens nas áreas castigadas por enchentes, contudo na segunda não se pode afastar ainda instabilidade isolada na Metade Norte. Na metade da semana que vem, de acordo com os modelos analisados, se espera mis um episódio de chuva na Metade Norte, mas sem estes volumes extremos do atual.

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A histórica cheia do Rio Uruguai é resultado de um evento extremo de chuva na parte média e alta da bacia com acumulados de precipitação excessivos no Noroeste e Norte do Rio Grande de do Sul, e no Oeste e Meio-Oeste catarinense. Na estação convencional do Instituto Nacional de Meteorologia em Iraí, que opera ininterruptamente desde 1936, a chuva em menos de 100 horas alcançou 319 mm. A média histórica para junho inteiro (série 1961-1990) é de 148,7 mm. A estação registrou em 24h até 9h da manhã 38,8 mm no dia 24, 81,6 mm no dia 25, 68,6 mm ontem (26) e 130,0 mm hoje (27). Para se ter ideia, o acumulado de 130 mm em 24 horas de hoje supera a maior altura máxima de chuva em 24 horas de junho de toda série histórica 1961-1990 que foi de 117,3 mm em 5 de junho de 1990. Não é, contudo, recorde. Em 17 de abril de 1941, mês de chuva extrema que levou à grande enchente de 41 em Porto Alegre e no Estado, o acumulado em 24h foi de 137 mm em Iraí.


Enchente no município de Porto Mauá é uma das maiores vistas nas últimas décadas no município – Paulo Schmidt


Crissiumal teve 313 mm de chuva até a manhã desta sexta e região tem inundações – Leila Ruver/Guia Crissiumal


Ponte sobre o Uruguai entre Nonoai (RS) e Chapecó (SC) foi interditada pelo alto nível do rio – Fabiana Faé/Ijuhy.com

Mantém-se a recomendação de atenção aos rios com nascentes na Serra e que desembocam nos vales (Caí, Sinos, Paranhana, Gravataí, etc), mas não existe alerta no momento de cheia. Exceção é o Taquari que está alto na parte mais alta da bacia e que merece atenção redobrada. O cenário mais preocupante segue reservado para a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul que no decorrer da próxima semana será impactada pela enorme vazão da parte média e alta do Rio Uruguai. Com isso, cidades como Uruguaiana, Itaqui e São Borja tendem a enfrentar cheia. A MetSul Meteorologia nalerta ainda que o eixo da chuva mais forte no Rio Grande do Sul neste fim de semana deve mudar. Com a atuação de um centro de baixa pressão, o risco de chuva localmente forte ou até intensa com altos volumes em alguns pontos migrará de Norte para Sul e passará a se concentrar no Sul, parte do Oeste e do Centro do Estado, incluindo a região de Porto Alegre. Cidades da Metade Sul, assim, que até agora pouco ou quase nada tiveram de precipitação nesta semana, podem apresentar chuva com volumes mais altos e ocasionais transtornos localizados. Não se prevê repetição, porém, dos acumulados de chuva extremos observados no Norte do Estado.



Esta área de baixa pressão traz vento no fim de semana que se intensifica neste sábado. Os mais recentes dados reduziram a força das rajadas, mas há risco de rajadas fortes em pontos do Estado associadas a este sistema, notadamente no Sul e no Leste. Com o solo úmido e instável, cresce a possibilidade de queda de árvores com o vento. A temperatura declina durante o fim de semana com o ingresso de ar mais frio e o domingo, em especial, pode ser de temperatura baixa em várias regiões.

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