A MetSul Meteorologia alerta que o Guaíba terá enchente de maior dimensão que a da semana passada e que provocará alagamentos nas ilhas e deve superar a cota de alerta de 2,5 metros junto ao Centro Histórico, embora neste momento os dados não apontem que deve transbordar no Cais Mauá.

FERNANDO OLIVEIRA
No começo da manhã desta quarta-feira (29), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 1,95 metro e a tendência é de gradual elevação com subida mais acentuada no final do duia e nesta quinta (30) e ainda na sexta (31).
Os dados são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cujo medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.
A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados da régua do Gasômetro. A que fazemos uso está no ponto oficial de medição por 150 anos e tem cota de inundação de 3,00 metros, que é a conhecida amplamente pela população.
Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora.
A SITUAÇÃO DOS RIOS CONTRIBUINTES DO GUAÍBA
O Guaíba tem cinco rios contribuintes: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A condição de cada um deles, em conjunto, conta a história de uma cheia do Guaíba. Os dois maiores contribuintes são o Taquari e o Jacuí.
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No começo da manhã desta quarta-feira, o Rio Taquari em Lajeado alcançava 22,5 metros após ter superado a cota de inundação de 19 metros no começo da madrugada. Como o Taquari ainda sobe na parte alta da bacia, a tendência é seguir subindo durante o dia de hoje até estabilizar, começando a baixar amanhã.
Já o Rio Caí em São Sebastião do Caí estava com 11,2 metros no início da manhã e ainda sobe, no entanto deve começar a estabilizar gradualmente mais tarde hoje e começar um processo de baixa no fim do dia ou no começo da quinta-feira na cidade, mas ainda subirá entre Montenegro e Nova Santa Rita.
O Rio dos Sinos em São Leopoldo estava no começo da manhã em 4,74 metros na régua de São Leopoldo, 24 cm acima da cota de inundação. Há grande vazão descendo a partir das nascentes, especialmente da contribuição do Rio Paranhana, o que vai elevar o Sinos na Grande Porto Alegre ainda mais nos próximos dias.
O Rio Gravataí está em Gravataí neste começo de manhã com 4,81 metros, ou seja, acima da cota de inundação de 4,75 metros. Assim como no caso do Sinos, há água ainda por chegar das nascentes e a tendência é de elevação maior nos próximos dias.
Outro rio que preocupa, que mal baixou da chuva da última semana, é o Jacuí. Com o que choveu ao longo da bacia, o nível já elevado tende a subir ainda mais durante os próximos dias com inundações no Centro do estado, na Região Carbonífera e na parte final junto ao delta na região de Eldorado do Sul e Porto Alegre.
A primeira onda de vazão a alcançar o Guaíba será a do Taquari nas próximas 48 horas. Na sequência, haverá gradualmente a do Rio Jacuí e do Caí. Ao mesmo tempo, aumentará nos próximos dias a chegada de água dos rios Gravataí e Sinos.
RISCO PARA AS ILHAS DE PORTO ALEGRE
Diante do cenário dos rios contribuintes, esta nova cheia será maior que a da semana passada que teve pico de 2,11 metros no Cais Central na sexta-feira (2). A tendência é de o Guaíba subir mais com alta probabilidade de atingir a cota de alerta de 2,5 metros e baixa, pelos dados de agora, de alcançar a cota de inundação de 3 metros.
A MetSul Meteorologia enfatiza que o risco em Porto Alegre nos próximos dias deverá se concentrar nas ilhas da capital, no bairro Arquipélago, onde os primeiros alagamentos ocorrem quando a medição do Cais Central da Mauá indica cotas de 2,0 a 2,2 metros.
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Uma vez que o Guaíba vai se elevar mais, a marcas entre 2,30 metros e 2,50 metros, nas próximas 48 horas, a tendência é que pontos mais baixos das ilhas tenham alagamentos. No pico da cheia, diferentes pontos das ilhas podem ter alagamentos e inundações com provável remoção de famílias de suas casas.
A COMPLEXIDADE HIDROLÓGICA DO GUAÍBA
Prever o nível do Guaíba é tão, mas tão complexo e difícil, com variáveis diferentes de prognosticar o nível de um rio apenas, que não é apenas vazão dos rios (hidrologia) que desaguam que determina o seu nível. Aliás, o fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba.
No caso de agora, os vários rios contribuintes ainda estão subindo e ainda não atingiram os seus picos de cheia, assim que as estimativas são preliminares e não se afasta uma piora do cenário em nova atualização.
Tem também a variável do vento (meteorológica). Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos. Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.
Hoje, o vento sopra do quadrante Sul, mas nos próximos dias, quando chegar a onda de vazão dos rios, a previsão é de o vento soprar de direções que favorecem o escoamento das águas para a Lagoa dos Patos.
Enfatizamos que a cheia dos próximos dias não repetirá as grandes de novembro de 2023 e maio de 2024. O cenário é de alerta, mas não se deve esperar uma inundação de grandes proporções ou extrema como nos dois episódios.