A MetSul Meteorologia alerta que o Guaíba entrou novamente em condição de cheia ao atingir a cota de 2,00 metros no começo da manhã desta quarta-feira (30) e que há uma tendência de elevação maior com a chegada de ondas de vazão de rios com cheias no interior do estado.

PEDRO PIEGAS/PMPA
No começo da noite desta quarta-feira (30), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 2,00 metros, cota 25 cm acima do mesmo horário ontem.
Os dados que utilizamos são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cuja medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.
A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados da régua do Gasômetro. A que fazemos uso está no ponto oficial de medição da cidade por 150 anos e tem cota de inundação de 3,00 metros, que é a conhecida amplamente pela população.
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Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora.
A atual cheia será maior que a da semana passada que teve pico de 2,17 metros no Cais Central no dia 23. A tendência é de o Guaíba se manter alto por vários dias no restante desta semana e no começo da próxima, especialmente pela vazão do Rio Jacuí.
Por que o Guaíba sobe?
Três dos principais rios que desembocam no delta em Porto Alegre apresentam hoje cheia: Jacuí, Taquari e Caí. Os rios Jacuí e Taquari são dois principais contribuintes, assim as ondas de vazão destes dois rios serão determinantes para a cheia maior.
O Taquari atingiu o pico de cheia em Lajeado na madrugada de hoje 23,32 metros, logo abaixo do pico da cheia da semana passada que foi de 24,5 metros. Já o Rio Caí alcançou o pico de cheia de 11,1 metros hoje cedo, cota abaixo dos 14,3 metros da cheia da última semana.
O Jacuí, o maior contribuinte, no entanto, tem cheia maior que a da semana passada. Alcançou um pico no começo da bacia de 9,03 metros em Dona Francisca enquanto o máximo na semana passada foi de 6,3 metros. Além de ter chovido muito na parte inicial da bacia, volumes de chuva de até 250 mm foram observados na parte intermediária do curso do Jacuí no Centro do estado. Assim, há uma onda de vazão significativa do Jacuí ainda por chegar em Porto Alegre.
A tendência, portanto, é o Guaíba seguir subindo, com maior velocidade hoje e amanhã com a concomitância da vazão do Taquari e do Jacuí, seguindo alto por vários dias. Não há qualquer risco de uma enchente como a de 2024, mas as ilhas de Porto Alegre mais uma vez sofrerão com alagamentos.
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A complexidade do nível do Guaíba
Prever o nível do Guaíba é muito complexo e difícil, uma vez que há uma série de variáveis diferentes das usadas em um prognóstico de nível de um rio apenas. Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias.
O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba. No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba.
Há também a variável do vento (meteorológica), que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial de Porto Alegre. Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade.
Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.