A MetSul Meteorologia reforça o alerta de cheia do Guaíba nos próximos dias com risco para as ilhas (bairro Arquipélago), em Porto Alegre. Enfatizamos que não há indicativo de uma enchente de grandes proporções, como as de setembro e novembro de 2023, e não haverá uma repetição do desastre de maio de 2024 neste evento.

Foto de cheia do Guaíba nas ilhas

Subida do Guaíba trará alagamentos nas ilhas | ALEX ROCHA/PMPA/ARQUIVO

O Guaíba ontem (21) estava baixo e perto do nível normal, mas nesta quarta-feira (22) já começou a receber a vazão dos rios contribuintes e teve início uma trajetória de elevação que está longe do pico.

No final da tarde desta quarta-feira (212), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 1,54 metro. No começo do dia, a régua do Cais indicava 1,23 metro, ou seja, subiu 31 centímetros em 17 horas.

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Os dados são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação que não saiu do ar na enchente de 2024 e cujo pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro. Os dados você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar.

Assim como alertamos reiteradamente durante a enchente de 2024, a régua que existe no Gasômetro foi instalada emergencialmente na enchente de dois anos atrás e os seus dados não refletem a realidade do Cais Mauá com cota de transbordamento distinta dos 3,00 metros da cota de inundação do Centro Histórico, amplamente conhecida da população.

A partir de agora, com a chegada de uma maior onda de vazão, especialmente dos rios Taquari e Jacuí, se espera uma elevação maior do nível do Guaíba que pode atingir a marca dos 2,00 metros durante esta quinta-feira (23). Um cenário de 2,30 a 2,50 metros no pico não é afastado.

A tendência é seguir subindo no final da semana, assim a MetSul Meteorologia entende que serão atingidas cotas que causam alagamentos nas ilhas de Porto Alegre, onde os primeiros transtornos se registram quando o nível atinge 2,10 a 2,20 metros na régua do Cais Central. Um cenário de 2,30 ou mais no pico, no Cais, não é afastado.

Todos os rios que desembocam no Guaíba subiram e alguns atingira cota de inundação em suas respectivas bacias. O Taquari estava com 24 metros no fim da tarde em Lajeado e o pico da cheia ocorrerá nesta noite com marca próxima ou ao redor dos 25 metros. O Caí já atingiu seu pico de 11,4 metros em São Sebastião do Caí. A maior vazão destes dois rios ainda está por chegar no Guaíba, o que vai ocorrer entre esta quinta e o fim de semana.

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Haverá ainda contribuição do Jacuí nos próximos dias pelos volumes ocorridos no Centro e no Norte do estado, mas os dados não mostram cheia significativa. Também o Sinos e o Gravataí subiram muito com a chuva entre a Serra e o Litoral, no entanto não anotam cotas muito altas.

A soma da vazão destes três rios à dos rios que atingiram cotas de inundação (Taquari e Caí) fará com que o Guaíba suba ainda nos próximos dois a três dias com possibilidade de alagamentos nas ilhas.

Reiteramos uma vez mais que a possibilidade de uma repetição das grandes cheias de setembro de 2023, novembro de 2023 ou maio de 2024 nos próximos dias está totalmente descartada. A tendência é de cheia de magnitude média sem qualquer risco para a parte central da cidade e os eventuais transtornos mais concentrados nas ilhas.