A MetSul Meteorologia alerta para um episódio de tempo severo potencialmente grave e perigoso de tempo severo com risco para tempestades severas a muito severas em que há elevada probabilidade de vendavais fortes a intensos e alguns até destrutivos, além de granizo de variado tamanho.

Foto de tornado em Piraí do Sul

Sul do Brasil volta a ter risco de tornados neste começo de semana | REPRODUÇÃO/ARQUIVO

Neste domingo (20), uma área de baixa pressão ainda trouxe chuva no começo do dia, mas já se afastou para o oceano. Com isso, o tempo melhorou com sol e a partir de agora há o ingresso de ar quente que vai elevar acentuadamente a temperatura com sensação de abafamento durante a tarde.

O ar quente é trazido por uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, um corredor de vento intenso a cerca de 1500 metros de altitude, e que ganhará força sobre o Rio Grande do Sul nas primeiras horas da segunda-feira (21).

Ao mesmo tempo, massa de ar frio vai avançar pela Argentina e o Uruguai com uma frente fria na dianteira, o que vai desencadear as primeiras tempestades severas na tarde e noite deste domingo no Centro da Argentina e no Uruguai.

O sistema frontal avança pelo Sul do Brasil nesta segunda-feira e vai organizar uma poderosa linha de instabilidade com vendavais e que poderá provocar tempestades severas a muito severas que inicialmente afetarão o Rio Grande do Sul ainda no começo do dia e depois, sobretudo da tarde para a noite, os estados de Santa Catarina e o Paraná, não se afastando tempo severo ainda no Mato Grosso do Sul e em São Paulo, onde o risco segue na terça (22).

Vendavais destrutivos

O cenário de vento indicado pelos modelos numéricos é muito preocupante, o que nos leva a considerar um risco alto a crítico de danos, especialmente no Rio Grande do Sul, sobretudo na madrugada e manhã desta segunda-feira.

Leia tambémFrente fria e baixa pressão vão levar chuva e temporais a 11 estados

Os primeiros vendavais associados à linha de instabilidade podem atingir o extremo Sul do estado e a Campanha quase no final do domingo e ao redor da 0h de segunda. Na sequência, as tempestades severas com vento avançariam com a linha de instabilidade potente pelo Leste do Rio Grande do Sul. Após, a instabilidade afeta a Metade Norte gaúcha.

METSUL

METSUL

METSUL

METSUL

A MetSul alerta que não serão vendavais isolados. O que os dados hoje mostram é ocorrência de vendavais fortes a intensos, e alguns até destrutivos, em grande número de locais. Porto Alegre e região metropolitana estão entre as áreas de alto risco na madrugada ou mais tardar o começo da manhã de segunda.

Os mapas a seguir mostram as projeções de vento máximo do modelo WRF inicializado com o modelo norte-americano GFS na rodadas da tarde de ontem (19) e da madrugada de hoje (20) para o Rio Grande do Sul.

Mapa de vento

METSUL

Mapa de vento

METSUL

Já os mapas a seguir mostram a projeção de vento máximo a partir da rodada da tarde de ontem (19) e da madrugada de hoje (20) do nosso modelo WRF inicializado com o modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF).

Mapa de vento

METSUL

 

Mapa de vento

METSUL

Grande número de municípios do Rio Grande do Sul deve ter vento de 70 km/h a 100 km/h na passagem da linha de instabilidade associada à frente fria mas alertamos que em diferentes pontos o vento deve passar de 100 km/h com potencial em alguns locais para rajadas de até 120 km/h a 150 km/h, no cenário de tempo severo mais grave desde 6 de agosto.

O risco de tempo severo é menor que no Rio Grande do Sul, mas os mapas dos modelos indicam potencial para vendavais fortes a intensos em pontos de Santa Catarina e do Paraná também nesta segunda-feira. O risco de vendavais se estende ao Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde o risco segue até terça.

Mapa de vento

METSUL

O vento terá potencial de derrubar árvores, causar destelhamentos, colapso de estruturas, derrubar postes e gerar e cortes de energia. No Rio Grande do Sul, uma vez que os vendavais mais intensos devem ocorrer no Sul e no Leste do estado, a área de concessão da CEEE deve ser a mais afetada, mas haverá falta de luz também em municípios atendidos pela RGE.

Risco de tornados

Com base no perfil da atmosfera, a MetSul Meteorologia não descarta até fenômenos muito isolados severos de vento como microexplosões e tornados. O cenário, aliás, é muito propício à ocorrência de tornados.

Leia tambémPrevisão do tempo: tendência de chuva para dez dias no Brasil

Os mapa mostra o índice de Parâmetro de Tornado Significativo para o final do domingo e o começo da segunda-feira com valores extremamente altos e que muito raramente se observa no caso do Rio Grande do Sul, um indicativo de elevado potencial para que se formem supercélulas de tempestade com fenômenos severos como granizo grande, vendavais intensos, microexplosões atmosféricas e tornados.

Mapa de risco de tornados

METSUL

O risco de tornados nas próximas horas no Rio Grande do Sul decorre da combinação de diferentes variáveis atmosféricas que favorecem a formação de tempestades severas e com potencial de apresentar rotação. Embora tornados sejam fenômenos localizados e não ocorram em todas as áreas sob alerta, o ambiente meteorológico previsto é considerado propício para sua ocorrência isolada.

O primeiro ingrediente é uma intensa corrente de jato em baixos níveis, um corredor de ventos muito fortes a cerca de um a dois quilômetros de altitude. Este jato transporta ar muito quente e úmido do Norte da Argentina, Paraguai e Centro-Oeste do Brasil para o Rio Grande do Sul, aumentando a energia disponível para o desenvolvimento de tempestades severas.

O segundo fator será o avanço de uma linha de instabilidade na dianteira de uma frente fri. A chegada do ar mais frio força o ar quente e úmido a subir rapidamente, favorecendo a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical e de uma extensa linha de instabilidade que deve avançar rapidamente pelo Rio Grande do Sul.

O ingrediente mais importante para o risco de tornados, entretanto, é o elevado cisalhamento do vento. Isso significa que a velocidade e a direção dos ventos mudam significativamente entre a superfície e os níveis mais altos da atmosfera. A variação faz com que as correntes ascendentes das tempestades adquiram rotação, o que se antecipa com o avanço de ar mais frio e a atuação da corrente de jato em baixos níveis.

Quando um núcleo de tempestade consegue se desenvolver mais e com rotação surge uma supercélula, o tipo de tempestade mais frequentemente associado à formação de tornados. Mesmo quando as tempestades se organizam em uma linha de instabilidade, podem ocorrer pequenas áreas de intensa rotação embutidas na linha, capazes de gerar tornados rápidos, conhecidos como tornados de QLCS (Sistema Convectivo Quase-Linear).