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Enchente de 1941 foi a maior em Porto Alegre e seu sob El Niño | CP MEMÓRIA

Por décadas a grande enchente de 1941, também ocorrida em outono de El Niño, vive na memória como “a grande enchente”. Não foi a pior cheia de todos os municípios do estado, porém foi a pior de todas até hoje na capital e em muitas outras cidades.

Cada enchente tem sua própria história e os rios não sobem com proporção igual, mas o quadro atual em parte do Rio Grande do Sul supera os eventos dramáticos de 1941 e 2023.

Em vários municípios, em 1941, não havia chovido tanto como agora em tão curto período. A chuva extrema foi distribuída há 83 anos em período mais longo. Por isso, os rios atingem marcas inéditas.

O Vale do Taquari, por exemplo, tinha em 1941 e 2023 os picos em 150 anos de medições com mais de 29 m. Hoje, superava 33 m, absurdos quatro metros acima do recorde prévio. O Caí se encaminhava para ter a sua a maior cheia até hoje. Já quanto ao Jacuí, a maior vazão ainda não atingiu pontos com referenciais históricos de dados no Centro do estado, mas já se sabe que será imensa.

Jacuí, Taquari e Caí desembocam no Guaíba, além do Sinos, que também tem cheia, e o Gravataí. Assim, o Guaíba terá enchente histórica e enorme. Superará a segunda maior cheia (3,50 m em 1873) e a terceira (3,46 m em 2023), testando como nunca o sistema de contenção de cheias erguido nos anos 70 com o Muro da Mauá e os diques.

No seu pico, a atual cheia estará mais perto de 1941 que dos picos de 2023. Oferecer uma previsão de a quanto pode chegar exatamente é extremamente difícil dadas as complexidades do Guaíba (recebe água de vários rios e tem interferência de vento no nível), mas é muito mais relevante ter em mente a ideia de que será algo extraordinário para fins de prevenção que um cálculo sujeito a enorme erro se chegará a 4,20 ou 4,50 metros.

Hoje, o Guaíba transbordou no Cais ao superar 3,00 m pouco depois das 14h. Fato absolutamente notável porque, após 1941, o Guaíba só havia rompido a marca de 3,00 m até agosto de 2023 uma única vez, em 1967 (3,11 m). Em nove meses, desde setembro, rompe pela terceira: 3,18 m em setembro de 2023, 3,46 m em novembro de 2023, e agora. Definitivamente, estamos em uma nova e desafiadora era climática.

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