A Agência Federal de Gerenciamento de Emergências dos Estados Unidos (FEMA), a Defesa Civil norte-americana, recebeu uma orientação incomum durante a preparação para uma grande tempestade de inverno que avança pelo país: evitar o uso da palavra “ice” (gelo) em alertas públicos sobre o fenômeno.

ZACH D ROBERTS/NURPHOTO/AFP/METSUL
A diretriz, segundo fontes ouvidas pela rede CNN, partiu de autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão que supervisiona tanto a FEMA quanto o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA, conhecido pela sigla ICE.
A preocupação central é que o uso da palavra “ice” possa gerar confusão ou virar alvo de memes e zombarias nas redes sociais, em meio ao clima político tenso em torno das ações de fiscalização migratória conduzidas pelo ICE em várias regiões do país.
A orientação foi transmitida informalmente a funcionários da FEMA no momento em que estados do Sul e de outras partes dos Estados Unidos se preparam para enfrentar chuva congelante, neve intensa e uma forte onda de frio.
Em algumas áreas, a previsão indica grande e incomum acúmulo de gelo, o suficiente para provocar quedas de árvores, rompimento de linhas de energia e tornar estradas extremamente perigosas.
Autoridades teriam alertado que frases como “cuidado com o gelo” poderiam ser facilmente mal interpretadas ou transformadas em conteúdo viral, desviando a atenção do objetivo principal das mensagens: proteger vidas diante de um evento meteorológico severo.
Diante disso, os funcionários da FEMA foram incentivados a utilizar termos mais específicos, como “chuva congelante”, ao descrever os riscos à população.
Um porta-voz da FEMA contestou a reportagem em declaração à CNN, afirmando que a agência continuará utilizando descritores meteorológicos corretos e precisos para comunicar os perigos de forma clara ao público.
Apesar da negativa oficial, publicações recentes da FEMA nas redes sociais evitam o uso explícito da palavra “ice”, destacando riscos como “chuva congelante”, “neve pesada” e “frio perigoso”.
A tempestade de inverno deve se estender por mais de 3.200 quilômetros, do Texas até a Nova Inglaterra, com potencial de impacto em quase três dezenas de estados.
Especialistas alertam que milhões podem ficar sem energia elétrica por dias, especialmente em áreas onde o gelo acumulado deve sobrecarregar a infraestrutura.
