Uma tempestade de inverno de grandes proporções com gelo e neve provocou um colapso no sistema aéreo dos Estados Unidos neste fim de semana, com impacto direto em milhões de passageiros nos piores dias para o tráfego aéreo no país desde a pandemia.

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Cerca de 12 mil voos programados para decolar foram cancelados à medida que o sistema avançava pelo país, trazendo neve intensa, gelo severo e frio extremo de longa duração, mas a tendência é de o número aumentar.
O mau tempo se espalhou de Novo México a Nova Inglaterra, colocando aproximadamente 140 milhões de pessoas, mais de 40% da população norte-americana, sob alertas de tempestade de inverno.
Para a aviação, o cenário foi especialmente crítico, já que aeroportos estratégicos ficaram paralisados por condições consideradas perigosas para pousos e decolagens.
O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) alertou para uma extensa faixa de gelo com potencial catastrófico entre o Leste do Texas e a Carolina do Norte. Em áreas do Sudeste de Oklahoma, do leste do Texas e da Louisiana, já havia registro de acúmulo de 0,6 centímetro de gelo, o suficiente para comprometer pistas, aeronaves e sistemas de navegação.
No Aeroporto Internacional Will Rogers, em Oklahoma City, todos os voos de sábado foram cancelados, assim como as operações da manhã de domingo. O terminal ficou praticamente vazio, com poucos agentes de segurança e raros passageiros aguardando informações, em uma imagem que ilustra a dimensão do impacto no setor aéreo.
Painéis de aeroportos em várias partes do país exibiam longas listas de cancelamentos, especialmente em rotas ligadas a grandes hubs. Entre os aeroportos mais afetados estavam Dallas-Fort Worth, Nashville e Charlotte Douglas, todos pontos-chave da malha aérea nacional.
Apenas neste sábado, mais de 4 mil voos foram cancelados, enquanto outros 8 mil já estavam fora da programação de domingo.
Meteorologistas locais destacaram que o caráter excepcional da tempestade não se resume à neve ou ao gelo, mas ao frio intenso que vem na sequência. As temperaturas extremamente baixas devem retardar o degelo, dificultando a limpeza das pistas e atrasando a retomada das operações aéreas por vários dias.
O efeito dominó atingiu passageiros em todo o país. Viagens internacionais e conexões domésticas foram interrompidas, obrigando muitos a buscar rotas alternativas longas e caras.
Governadores em mais de uma dezena de estados declararam emergência ou pediram que a população evitasse deslocamentos. Estradas cobertas de gelo, quedas de energia e riscos à segurança reforçaram a decisão das companhias aéreas de manter aeronaves em solo.
A tempestade ainda deve avançar para o Nordeste, com previsão de até 30 centímetros de neve entre Washington, Nova York e Boston, o que indica novos cancelamentos e atrasos nos próximos dias. Especialistas alertam que, em áreas castigadas pelo gelo, os danos podem ser comparáveis aos de um furacão.
