Uma onda de frio incomum na Flórida transformou as ruas, quintais e canais do estado em um cenário inesperado: iguanas verdes invasoras, paralisadas pelo frio, despencando das árvores. Com as temperaturas caindo para a casa dos 40 graus Fahrenheit (cerca de 4°C a 9°C), os répteis de sangue frio tiveram o sistema nervoso temporariamente desligado, entrando em um estado de imobilidade.

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O fenômeno, já conhecido pelos moradores do sul da Flórida, desta vez ganhou outra dimensão, destaca o Washington Post. Autoridades estaduais decidiram aproveitar a vulnerabilidade dos animais para organizar, pela primeira vez, uma ação coordenada de remoção das iguanas, consideradas uma das espécies invasoras mais problemáticas da região.
Ryan Izquierdo, criador de conteúdo digital de 27 anos, acordou cedo em Jupiter, no sudeste da Flórida, preparado para o que chamou de “caça às iguanas”. O frio intenso, associado a uma frente fria que levou neve e recordes de temperatura baixa a partes da Costa Leste dos Estados Unidos, criou as condições ideais para a queda dos animais das árvores onde costumam se abrigar.
Quando a temperatura cai abaixo de cerca de 10 °C, as iguanas entram em torpor, ficam paralisadas e perdem a capacidade de se segurar nos galhos. O resultado é uma “chuva” de répteis escamosos, um evento que se repete sempre que o inverno se mostra mais rigoroso no estado.
Desta vez, porém, a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC) emitiu uma ordem executiva permitindo que moradores, mesmo sem licença, recolhessem e transportassem as iguanas até pontos oficiais. Lá, os animais seriam sacrificados de forma humanitária ou, em alguns casos, encaminhados a permissionários autorizados para venda legal.
Segundo a FWC, filas se formaram nos locais de entrega, com sacos e caixas cheios de iguanas. Embora ainda não haja um número oficial, Izquierdo relatou ter levado cerca de 100 animais a um centro próximo a Fort Lauderdale. “Era um caos. Algumas tinham mais de um metro e meio de comprimento, pareciam dragões”, disse.
Introduzidas na Flórida na década de 1960, as iguanas verdes se multiplicaram rapidamente, com uma população estimada em mais de 1 milhão. Elas causam danos significativos à infraestrutura urbana ao escavar tocas próximas a casas, calçadas e muros de contenção, além de ameaçar plantas nativas importantes para o equilíbrio ecológico.
Especialistas destacam que o frio oferece uma rara oportunidade de controle. Em temperaturas normais, capturar uma iguana exige equipamentos específicos e muita habilidade. No frio, a remoção se torna simples e eficiente.
Apesar do tom quase festivo que tomou conta das redes sociais, Izquierdo reconhece o dilema. “São animais, e a gente sente por eles. Mas é preciso olhar o quadro maior”, afirmou. Com a elevação gradual das temperaturas, as iguanas sobreviventes voltaram a se mover, encerrando uma curta, porém intensa, temporada de caça impulsionada pelo frio.
