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A frequência de nevoeiro tem sido muito acima do normal nesta segunda metade do mês de junho em Porto Alegre. Praticamente todos os dias têm tido cerração na cidade e na região. Com o agravante de que em alguns dias a restrição de visibilidade permanece nas 24 horas do dia. O nevoeiro tem sido tão persistente nestes dias que, inclusive, afeta hoje a navegação na área de Porto Alegre.

Junho é o mês do ano com maior incidência de nevoeiro em Porto Alegre. Um estudo da Força Aérea Brasileira (FAB) da frequência do fenômeno no Aeroporto Salgado Filho, realizado entre os anos de 1998 e 2006, de autoria de Luiz Alexandre Fragozo de Almeida, mostra que no período houve 63 dias de nevoeiro em junho, 56 em maio e 48 em julho, o que determinou média para junho de sete dias com nevoeiro a cada ano. Ocorre que neste junho de 2016, conforme nosso levantamento na MetSul, analisando os metares do aeroporto Salgado Filho, já são até agora doze dias (5, 14, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 27, 28 e 29). No período 1998 a 2006, na soma, foram 285 horas de nevoeiro em junho (média para junho no período de 31 horas/mês) contra 212 em maio e 198 horas em julho, o segundo e o terceiro meses com maior incidência do fenômeno. Alguns dos dias com nevoeiro neste mês chegaram a ter dez a doze horas dom com menos de mil metros de visibilidade (FG ou nevoeiro) no Salgado Filho. Só entre os dias 18 e hoje (29) foram mais de 60 horas com nevoeiro (e isso exclui as horas com neblina em que também há restrição de visibilidade) no Salgado Filho.



Nesta segunda metade de junho a temperatura seguiu baixa em camadas da atmosfera mais próximas da superfície com ingresso de ar mais quente em altitude, o que acabou por gerar inversão térmica. A elevação da temperatura diurna com ar mais quente sobre águas muito mais frias que o normal na costa e na Lagoa dos Patos também influenciou a formação de nevoeiro. As águas do Oceano Atlântico estão com temperatura muito abaixo da média na costa do Rio Grande do Sul. E não somente na nossa orla, mas numa área que se estende da costa de província de Buenos Aires até os litorais do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A alta freqüência de intensos pulsos de ar polar ao longo do outono trouxe as águas mais geladas à medida que a Corrente das Malvinas (fria) avançou bem para o Norte, invadindo áreas em que normalmente está a Corrente do Brasil (quente), como se vê nas imagens de temperatura da superfície do mar do SMN.  



O mar pode influenciar a formação de nevoeiro. Como? O que ocorre? Ar mais quente ingressando de Noroeste/Norte e ao avançar sobre a camada de ar imediatamente acima do mar que está mais fria por conta das águas também frias, o contraste acaba por gerar nevoeiro. Por isso, muitas praias gaúchas têm tido bastante cerração agora neste final de junho, o que deve continuar ainda nos próximos dias com o avanço de ar quente a partir de Oeste na faixa costeira. Situação semelhante se observa também em áreas próximas da Lagoa dos Patos que, igualmente, está com águas mais frias do que o normal.   

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