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Uma poderosa e histórica tempestade de inverno deve afetar grandes áreas dos Estados Unidos a partir desta sexta-feira e ao longo do fim de semana, trazendo neve intensa, chuva congelada (sleet) e intensa precipitação de gelo para mais de 150 milhões de pessoas.

Neve nos Estados Unidos

Tempestade histórica de neve e gelo vai afetar grande parte dos Estados Unidos nesta sexta e no fim de semana | MANDEL NGAN/AFP/METSUL METEOROLOGIA

“Um evento amplo e potencialmente catastrófico”, diz Ryan Maue, meteorologista norte-americano. “Raro e de alto impacto, potencialmente o pior em décadas, desde a Grande Tempestade de Gelo de fevereiro de 1994”, resume o meteorologista Dylan Federico.

A tempestade deve entrar “no escalão de tempestades de impacto incomum”, disse Alex Lamers, meteorologista do Weather Prediction Center da NOAA. “Não é algo que se veja todo inverno”, afirmou Lamers, acrescentando que a tempestade “deve afetar cerca de metade da população dos Estados Unidos com gelo ou neve”.

A tempestade ocorre enquanto muitos norte-americanos ainda se recuperam de sucessivas nevascas e de temperaturas persistentemente congelantes, especialmente na faixa norte do país.

Os meteorologistas alertam que o elemento mais destrutivo deste sistema pode não ser a neve, mas o gelo, capaz de derrubar redes elétricas e paralisar o transporte. Modelos indicam acumulados de gelo de 2,5 cm a mais de 5 cm, sendo que cerca de 1 cm já é considerado desastroso para a rede elétrica.

Especialistas afirmam que a tempestade pode se estender por mais de 3.200 quilômetros, afetando áreas do Texas e das Planícies do Sul até as Carolinas, o Atlântico Médio e partes do Nordeste dos EUA.

Vários estados do Sul, que não dispõem de equipamentos nem de experiência com grandes tempestades de inverno, podem enfrentar impactos particularmente severos.

Quedas de energia que podem durar dias a semanas são possíveis caso camadas espessas de gelo se acumulem em árvores e linhas de transmissão. A expectativa é de grandes transtornos no transporte, incluindo bloqueios de estradas e milhares de voos cancelados.

As temperaturas devem permanecer bem abaixo de zero mesmo após a tempestade avançar para o leste, permitindo que a neve e o gelo persistam.

Autoridades de emergência pedem que a população se prepare para interrupções prolongadas da rotina diária. A confiança na previsão está aumentando, mas ainda há incertezas quanto à trajetória exata e à intensidade da tempestade.

O gelo representa a maior ameaça no Sul dos Estados Unidos 

Meteorologistas afirmam que a chuva congelante pode cobrir estradas, pontes, árvores e linhas de energia com uma espessa camada de gelo em grandes áreas do Sul. Mesmo uma fina película de gelo já torna as vias perigosas.

Concessionárias alertam que árvores e linhas de energia carregadas de gelo podem quebrar e cair sob o peso. Apagões generalizados são uma grande preocupação, especialmente na Geórgia, nas Carolinas, no Arkansas e em partes do Texas.

A restauração da eletricidade pode levar dias a semanas se os danos forem extensos e o acesso às áreas afetadas for limitado. Estados do Sul geralmente contam com menos limpa-neves e estoques reduzidos de materiais para derretimento do gelo.

NWS/NOAA

NWS/NOAA

Equipes de emergência podem ser sobrecarregadas pela dimensão dos danos. Escolas, empresas e repartições públicas podem ser obrigadas a fechar por vários dias.

Hospitais e serviços de emergência estão se preparando para um aumento da demanda. As autoridades reforçam que as pessoas devem evitar deslocamentos desnecessários durante e após a tempestade.

Ar ártico colide com umidade do Golfo do México

A tempestade está sendo impulsionada por uma massa de ar ártico excepcionalmente fria que avança do Canadá em direção ao sul. Ao mesmo tempo, um forte fluxo de umidade do Golfo do México segue para o norte.

Quando essas duas massas de ar colidem, criam condições ideais para uma grande tempestade de inverno. Meteorologistas descrevem a configuração como extrema, mesmo para o auge do inverno.

Uma ampla área de alta pressão sobre as Planícies do Norte está canalizando o ar frio profundamente para o sul dos Estados Unidos. Esse ar frio deve se infiltrar sob o ar mais quente em altitude, favorecendo chuva congelante. Em algumas regiões, a precipitação pode durar mais de 24 horas.

O caráter prolongado da tempestade aumenta o risco de acúmulo significativo de gelo. As temperaturas podem permanecer abaixo de zero por dias, impedindo o degelo. Essa combinação eleva o potencial de impactos duradouros, que podem se estender pela próxima semana.

Nevascas podem atingir níveis históricos em algumas regiões

Enquanto o gelo domina a borda sul da tempestade, neve intensa é esperada mais ao norte. Uma ampla faixa de neve pode se estender do nordeste do Novo México e noroeste do Texas, passando por Oklahoma e Kansas, até o Nordeste do país.

Algumas localidades podem receber 15 a 30 centímetros de neve ou mais. Em partes dos Apalaches, os acumulados podem superar 60 centímetros.

Grandes cidades no caminho da tempestade incluem Dallas, Oklahoma City, Nashville, Atlanta, Charlotte, Washington, D.C., Nova York e Boston.

Em Oklahoma City, a tempestade pode ficar entre os cinco maiores eventos de neve já registrados. As taxas de precipitação podem ser intensas a ponto de sobrecarregar as equipes rodoviárias. Neve soprada pelo vento e baixa visibilidade podem tornar as viagens extremamente perigosas. Rodovias interestaduais e estradas secundárias podem ficar intransitáveis por longos períodos. Autoridades alertam que motoristas presos podem enfrentar frio com risco à vida.

Transtornos no transporte devem atingir todo o país

Autoridades de transporte estão se preparando para grandes interrupções em rodovias e aeroportos. Milhares de voos devem ser cancelados em todo o país ao longo do fim de semana. Grandes hubs aéreos como Dallas, Atlanta, Charlotte, Memphis e Nova York devem ser afetados.

Pistas congeladas e atrasos na remoção de gelo das aeronaves podem manter voos no solo por horas ou dias. O transporte rodoviário no Sul pode ser especialmente perigoso devido à escassez de recursos para remoção de neve. Pontes e viadutos congelam primeiro, aumentando o risco de acidentes.

As autoridades pedem que motoristas evitem as estradas, salvo em casos absolutamente necessários. Sistemas de transporte público também podem registrar atrasos ou suspensões. O transporte ferroviário pode ser reduzido ou interrompido nas áreas mais atingidas. As condições de deslocamento podem continuar perigosas mesmo após o fim da precipitação.

Frio persiste após a passagem da tempestade

Mesmo depois que a tempestade avançar para o leste, temperaturas muito baixas devem persistir. Em muitas áreas, as máximas podem permanecer próximas ou abaixo de zero por vários dias. As mínimas noturnas podem cair para valores muito baixos, aumentando o risco de canos congelados e rompidos. O Norte do país pode ter até 40ºC negativos.

Moradores são orientados a proteger a tubulação e garantir aquecimento adequado. Pessoas sem aquecimento confiável enfrentam sérios riscos à saúde. Hipotermia e congelamento são grandes preocupações para quem ficar exposto ao frio. Abrigos de emergência podem ser necessários em áreas com apagões prolongados. Autoridades alertam que superfícies congeladas podem voltar a congelar durante a noite, dificultando os trabalhos de recuperação.

Autoridades dos Estados Unidos pedem preparação e cautela

Gestores de emergência em vários estados pedem que a população se prepare desde já. A recomendação é estocar alimentos, água, medicamentos e baterias. Pessoas que dependem de equipamentos médicos elétricos devem fazer planos alternativos.

As autoridades sugerem verificar a situação de idosos e pessoas vulneráveis. Geradores devem ser usados com segurança e apenas em áreas externas.

Motoristas são alertados a não subestimar as condições de gelo. Mesmo deslocamentos curtos podem se tornar perigosos durante a tempestade. As autoridades reforçam a importância de acompanhar previsões e alertas oficiais, já que as condições podem mudar rapidamente à medida que o sistema evolui. Meteorologistas afirmam que esta tempestade tem potencial para ser histórica em algumas regiões.

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