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FSU/ARQUIVO METSUL

As mudanças climáticas provocaram um aumento entre 5% e 10% das chuvas durante a temporada de ciclones no Atlântico Norte em 2020, segundo um estudo publicado ontem. Durante a temporada, 30 tempestades tropicais e furacões foram registrados, um recorde que deixou os especialistas sem nomes para batizar esses fenômenos meteorológicos pela segunda vez na história. Doze tempestades ou furacões tocaram terra nos Estados Unidos e provocaram dezenas de bilhões de dólares em danos.

Os autores do estudo, publicado na revista Nature, compararam as chuvas geradas durante esses episódios meteorológicos com modelos que supostamente indicam a quantidade de chuva que teria caído sem a mudança climática.


“A conclusão principal do nosso estudo é que a mudança climática provocada pelos humanos aumentou as chuvas extremas associadas à temporada dos furacões entre 5% e 10%”, explicou à AFP o autor principal, Kevin Reed, da universidade de Stony Brook, nos Estados Unidos.

O estudo analisa particularmente os episódios de chuva durante um curto período de tempo e a chuva contínua (menos intensa) durante um período mais longo. Em termos globais, para o conjunto da temporada ciclônica, a mudança climática aumentou em 5% o volume de chuva que caiu nos três piores dias e em 10% a chuva que caiu nas três horas mais intensas, em relação aos dados disponíveis de 1850.


Os números “não são surpreendentes” se considerarmos que a concentração da umidade na atmosfera aumenta 7% para cada 1ºC de aquecimento, explica o estudo. No caso dos furacões, o impacto da mudança climática é ainda mais acentuado, com um aumento de 8% (nos três dias de maior precipitação) e de 11% (nas três horas de piores registros), o que significa “quase o dobro” do esperado pelos cientistas.

As tempestades e furacões são formados pela combinação da umidade com a temperatura da superfície do mar. Grande parte das tempestades se formou em 2020 quando a temperatura no Atlântico Norte era maior que 27ºC, ou seja, entre 0,4ºC e 0,9°C a mais que na era pré-industrial. Por causa das emissões de gás de efeito estufa, a temperatura média do planeta aumentou aproximadamente +1,1°C em relação à era pré-industrial.

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