Julho foi o mês mais quente já registrado nos Estados Unidos desde o início das medições nacionais, em 1895, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (10) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Pessoa se refresca com água de um hidrante durante onda de calor em Chicago, nos Estados Unidos | OCTAVIO JONES/AFP/METSUL
A temperatura média nos 48 estados contíguos ficou 1,8°C acima da média do século 20. O valor superou em aproximadamente 0,1°C a 0,2°C os antigos recordes. Mais de 600 recordes mensais de temperaturas máximas e mínimas altas foram estabelecidos durante julho.
O calor atingiu praticamente todo o território continental dos Estados Unidos. Nenhum estado apresentou uma média mensal próxima ou abaixo da normal, enquanto 13 estados tiveram um dos cinco julhos mais quentes de suas séries históricas.
Wyoming teve o julho mais quente já observado no estado e também registrou o mês mais quente de qualquer época do ano desde o início das medições.
Na América do Norte, as condições de calor, seca e vento também favoreceram grandes incêndios. No estado de Washington, um complexo de três queimadas atingiu a região de Spokane e danificou ou destruiu centenas de casas e outras estruturas.
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O calor e a seca também agravaram a situação hídrica no Oeste. O Lago Mead, maior reservatório dos Estados Unidos, atingiu no início de agosto seu menor nível já registrado.
O reservatório é responsável pelo abastecimento de água de aproximadamente 20 milhões de pessoas em diferentes estados do Sudoeste.
Domos de calor provocaram uma sequência de recordes
Uma das principais características do padrão atmosférico de julho foi a sucessão de domos de calor que se estabeleceram sobre diferentes regiões dos Estados Unidos.
Essas estruturas se formaram em diferentes momentos e locais conforme as ondulações da corrente de jato. O resultado foi uma sequência de períodos prolongados de calor extremo, atingindo da Costa Leste até as Grandes Planícies, o Oeste e o Sudoeste.
O domo de calor funciona como uma espécie de tampa atmosférica. O ar quente fica concentrado próximo à superfície e o movimento descendente do ar favorece temperaturas ainda mais elevadas.
A corrente de jato, uma faixa estreita de ventos muito fortes localizada em torno de 9 quilômetros de altitude, tem papel importante na distribuição dos sistemas meteorológicos e na definição das regiões onde esses domos de calor se estabelecem.
O Leste do país enfrentou uma onda de calor particularmente intensa durante o feriado de 4 de julho. Novos episódios de calor extremo ocorreram posteriormente, mantendo diferentes áreas sob temperaturas muito acima da média.
Denver e Salt Lake City tiveram o julho mais quente de suas histórias. A região entre as Montanhas Rochosas apresentou alguns dos maiores desvios positivos de temperatura no país.
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Cidades como Miami, Los Angeles e Minneapolis também tiveram um dos cinco julhos mais quentes já observados.
El Niño se soma ao aquecimento global
O recorde ocorreu em um contexto de mudança climática provocada principalmente pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa decorrentes da queima de combustíveis fósseis.
O aquecimento global está tornando as ondas de calor mais intensas, prolongadas e frequentes. O comportamento observado em julho é mais um exemplo dessa tendência.
Ao mesmo tempo, um El Niño em rápida intensificação no Pacífico tropical começa a exercer influência sobre as temperaturas globais. O fenômeno pode contribuir para elevar as temperaturas médias do oceano e da atmosfera e ter desempenhado um papel secundário no calor observado nos Estados Unidos.
Isso não significa que o El Niño tenha sido responsável individualmente pelas ondas de calor. Estudos indicam que episódios específicos de calor extremo nos Estados Unidos estão mais relacionados à combinação entre a mudança climática e a variabilidade natural dos padrões atmosféricos.