O Sul do Brasil registrou três tornados em apenas doze dias com muitas imagens gravadas dos fenômenos com células e, em alguns casos, com grande proximidade dos funis. Apesar das imagens mostrarem sem qualquer dúvida que se tratavam de tornados, as primeiras reportagens nos noticiários descreviam os fenômenos apenas como “tempestades severas de vento” ou “possível tornado”.

Tornado na tarde de ontem no Paraná | REDES SOCIAIS
O professor Ernani Nascimento, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), um dos principais especialistas em tornados no Brasil, defende que é preciso melhorar a capacidade da população de reconhecer o fenômeno e compreender a gravidade de uma ocorrência quando ela está acontecendo. Para o meteorologista, quando um vídeo registra de forma inequívoca um tornado, é importante que o fenômeno seja identificado claramente.
“Precisamos educar as pessoas no Brasil a reconhecerem um tornado e a entenderem a gravidade da situação quando elas veem um bem na sua frente”, afirma Nascimento.
Segundo o professor, em situações nas quais as imagens permitem identificar claramente o tornado, ressalvas excessivas podem acabar dificultando a compreensão do público. “Se, repito, se um vídeo mostra inequivocamente um tornado, como é o caso aqui, afirmações do tipo ‘o fenômeno pode ter evoluído para um tornado, mas ainda não há confirmação de que tenha ocorrido um tornado na região e a confirmação de um possível tornado depende de uma avaliação técnica dos danos e das características do fenômeno” acabam sendo um desserviço neste aspecto, infelizmente.”
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Nascimento ressalta que a avaliação técnica continua sendo fundamental, especialmente para determinar características como intensidade, trajetória e danos associados ao tornado. A crítica, segundo ele, está na confusão entre a identificação visual do fenômeno e a posterior confirmação técnica de suas características.
“Também entendo que não é intencional. Temos um ensino deficiente sobre Meteorologia e outras importantes Ciências da Terra no país”, observa o professor. Para ele, ampliar o conhecimento básico sobre fenômenos meteorológicos severos é importante para que a população consiga reconhecer situações de risco e compreender a necessidade de buscar abrigo diante de um tornado.
Um tornado registrado em Piraí do Sul, no Paraná, neste sábado (8) foi o terceiro observado na Região Sul em apenas 12 dias. O primeiro ocorreu em 28 de julho, no Noroeste do Rio Grande do Sul, atingindo áreas de diferentes municípios e provocando danos em propriedades, árvores e estruturas. Registros feitos por moradores mostraram os efeitos da passagem do fenômeno e os estragos deixados nas áreas atingidas.
O segundo tornado foi registrado em 6 de agosto, em Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul. O fenômeno atingiu áreas do município e provocou danos em construções, árvores e estruturas. Imagens feitas após a passagem mostraram telhados danificados, árvores quebradas e outros impactos provocados pela força dos ventos.
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Em caso de tornado, a principal orientação é procurar imediatamente um local fechado e estruturalmente resistente. Como o Brasil não dispõe da ampla rede de abrigos subterrâneos existente em partes dos Estados Unidos, a proteção deve ser buscada dentro das próprias edificações.
Em uma casa ou prédio, o ideal é permanecer no andar mais baixo possível, afastar-se de janelas, portas de vidro e paredes externas e procurar um cômodo pequeno e central, como um banheiro, corredor ou depósito. A pessoa deve se proteger sob uma estrutura resistente, como uma mesa pesada, e proteger a cabeça e o pescoço com os braços, colchões ou cobertores.
Quem estiver em uma construção sem porão não deve sair correndo para a rua para tentar observar ou filmar o tornado. O risco maior vem de destroços lançados pelo vento, vidros quebrados, queda de telhados, árvores e estruturas. Em escolas, empresas ou outros prédios, a orientação é seguir imediatamente os procedimentos de emergência e buscar áreas internas, longe de janelas.
Se a pessoa estiver ao ar livre ou dentro de um veículo quando o tornado se aproximar, a situação é ainda mais perigosa. Não se deve tentar acompanhar o deslocamento do tornado nem permanecer em áreas abertas para fotografar ou filmar. Se houver um prédio resistente próximo, a prioridade é entrar e buscar abrigo.