Um episódio de chuva muito amplo para esta época do ano vai trazer chuva para ao menos onze estados e com altos volumes em alguns que podem até passar de 100 mm, alerta a MetSul Meteorologia.
A instabilidade vai afetar todos os estados do Sul, Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil, além de parte da Região Norte, com a atuação de um centro de baixa pressão no primeiro momento e o posterior avanço de uma frente fria na dianteira de uma massa de ar frio.
A chuva vai alcançar o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e ainda o estado de Rondônia. Deve chover, inclusive, no Distrito Federal.
Conforme os dados analisados pela MetSul, a instabilidade tem início já nesta quarta (10) em áreas entre o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste, devendo persistir na segunda metade da semana, no fim de semana e no começo da semana que vem.
Deve chover em todas as capitais do Sul, Centro-Oeste e o Sudeste, inclusive naquelas em que costuma chover muito pouco ou nada nesta época do ano, casos de Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.
O avanço de uma massa de ar frio pelo Sul do Brasil no fim de semana e no início da próxima semana deve reforçar a instabilidade e levar a chuva para um maior número de localidades do Centro e do Norte do país.
Com temperaturas mais altas na atmosfera dos estados do Centro do Brasil, a MetSul não descarta até a possibilidade de alguns temporais muito isolados com ocorrência de vento forte ou queda de granizo, mas o risco de tempo severo não é considerado alto.
Chuva pode passar de 100 mm em alguns pontos
O mapa abaixo mostra a projeção de chuva para sete dias do modelo determinístico do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF), que pode ser consultado a qualquer hora pelo nosso assinante na seção de mapas (clique aqui e assine).

METSUL
Os maiores volumes de chuva neste episódio de instabilidade devem se dar entre os estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo e o Paraná. Os volumes em vários pontos vão passar de 50 mm, mas alguns locais podem anotar acumulados tão altos quanto perto e acima de 100 mm.
A chuva pode surpreender ainda com volumes altos isolados em setores de Minas Gerais devido a formações convectivas que podem trazer temporais localizados em que há risco de chuva forte.
Chuva ocorre no começo da estação seca do Brasil Central
Diferentemente de áreas mais ao Sul do país, que não possuem temporadas chuvosa ou seca com precipitação bem distribuída ao longo do ano, o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil possuem períodos no ano que são secos e chuvosos, duas temporadas em que o regime de precipitação contrasta enormemente.
Durante a temporada chuvosa se dão os maiores acumulados de chuva anuais no Centro-Oeste e no Sudeste. Em cidades como Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá, mais de 70% do total anual de precipitação se concentra entre novembro e março. A média mensal pode ultrapassar 250 mm nas capitais do Sudeste e superar 300 mm em áreas de Minas Gerais e Mato Grosso.
Na cidade de São Paulo, considerado a climatologia da estação do Mirante de Santana, na zona Norte, o mês mais seco do ano é agosto com 32,3 mm enquanto o mais chuvoso é janeiro com 292,1 mm. No Centro-Oeste, no coração do Planalto Central, Brasília tem seu mês mais seco do ano em julho com média de tão-somente 1,5 mm enquanto o mais chuvoso é dezembro com 241,1 mm. Goiânia registra a sua menor média mensal de precipitação em julho com 1,5 mm ao passo que a sua maior é a de dezembro com 271,9 mm. Cuiabá tem a sua menor média de chuva em julho com 10,2 mm e a maior em fevereiro com 261,9 mm.
Assim, este episódio de chuva vai ocorrer numa época do ano em que chove muito pouco ou mesmo nada no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil com médias mensais de precipitação por demais baixas. Assim, nem é necessário que a chuva tenha volumes altos para que chova acima da média. Com a previsão de acumulados elevados em diferentes áreas, a MetSul está alertando para precipitação até muito acima da média.