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Ciclone extratropical muito organizado e com aparência clássica de espiral visto na costa da Argentina na tarde deste sábado pelas imagens do satélite GOES-16 | NOAA

Um enorme ciclone extratropical pode ser visto e chama atenção nas imagens de satélite deste sábado (20) no Atlântico Sul junto à costa da Argentina. Este sistema começou a se formar entre o final da quinta (18) e o começo da sexta (19), tendo se organizado sobre o mar durante o dia de ontem. Hoje, o sistema está ainda mais organizado sobre o oceano.

CONSEQUÊNCIAS

Este sistema representa alguma ameaça maior para o Rio Grande do Sul? De forma alguma. O máximo que o ciclone traz é resultado da frente fria associada ao sistema e que atua no momento junto à costa gaúcha. A frente ao interagir com o ar tropical formou nuvens carregadas isoladas no Leste gaúcho o com aquecimento diurno.

Foi o que causou chuva localizada na Grande Porto Alegre e na Capital na tarde deste sábado, inclusive com algumas trovoadas e granizo isolado em bairros da parte mais Sul da Capital, como a Restinga. Caiu granizo também em pontos de Sapucaia do Sul.

Enquanto em alguns bairros mais centrais de Porto Alegre sequer choveu, na Restinga a nuvem despejou 32 mm em curto período com pontos de alagamentos no bairro do Sul da Capital.

Em Pelotas, alguns pontos também tiveram granizo com um temporal passageiro decorrente de uma nuvem carregada isolada que se formou a partir da frente fria na costa associada ao ciclone.

O ciclone, nas imagens de satélite, é enorme. A sua dimensão equivaleria à metade do território da Argentina. Isso poderia sugerir que se trata de um sistema muito intenso, mas nem sempre a aparência de um ciclone denota a sua intensidade.

No caso, este ciclone não é profundo e a carta sinótica da Marinha do Brasil da manhã deste sábado indicava uma pressão mínima central não tão baixa de 992 hPa. Em outras palavras, trata-se de um sistema muito mais “fotogênico” que intenso.

FENÔMENO COMUM

Cabe recordar que ciclones extratropicais como de agora são recorrentes no Atlântico Sul. Ocorrem em qualquer época do ano e em todas as estações.

Os mais intensos se dão nos meses mais frios do ano, geralmente acompanhando fortes massas de ar polar com altos valores de pressão atmosférica.

Este ciclone de hoje, como o mapa acima mostra, não vai evoluir para o Uruguai ou o Rio Grande do Sul. A tendência é seguir se deslocando em mar aberto na altura do litoral da Argentina e se distanciando do continente. Enfim, não é um sistema que traz preocupação e merece apenas ser apreciado nas imagens de satélite pelos entusiastas de Meteorologia.

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