O número de registros de danos por granizo em lavouras de tabaco na Região Sul já é quase quatro vezes maior nesta safra 2026/2027 em comparação com o ciclo anterior. Levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) contabiliza 21.892 avisos de danos recebidos até a manhã de 5 de novembro, ante 5.525 registros em toda a safra 2025/2026. O aumento chega a 296,2%.

Foto de granizo

ARQUIVO

A situação se agravou especialmente nos últimos dias. Entre 31 de outubro e o início da manhã de 5 de novembro, foram registrados 7.909 novos avisos, o equivalente a 36,1% de todas as ocorrências contabilizadas na atual temporada.

Os episódios de granizo atingiram dezenas de municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, provocando prejuízos aos produtores e ampliando a necessidade de vistorias nas propriedades.

Leia tambémComo está o El Niño neste começo de novembro

O grande volume de ocorrências exige uma operação de atendimento que poderá se estender por vários dias. O andamento das avaliações depende também das condições meteorológicas, necessárias para permitir o deslocamento e o trabalho das equipes nas lavouras.

No Rio Grande do Sul, Passa Sete lidera os registros recentes, com 508 avisos, seguido por Candelária, com 433, Boqueirão do Leão, com 379, Agudo, com 369, e Herveiras, com 344. Em Santa Catarina, Itaiópolis contabiliza 459 ocorrências, Santa Terezinha 407 e Papanduva 378. No Paraná, os maiores números são de São João do Triunfo, com 397 avisos, São Mateus do Sul, com 342, e Quitandinha, com 257.

A Afubra orienta os produtores a preservar três vergas de amostra em cada lavoura, uma na parte superior, outra no meio e uma terceira na parte inferior, até a chegada do avaliador.

Leia tambémEl Niño Costeiro impressiona e avança a níveis extraordinários

A entidade alerta que as plantações não devem ser eliminadas nem gradeadas antes da vistoria, pois isso impossibilita a avaliação dos prejuízos e o recebimento de indenização pelo Sistema Mutualista.

Os tratos culturais e a colheita podem continuar nas lavouras com condições de recuperação, desde que as três amostras sejam mantidas intactas e não sejam alteradas antes da avaliação.

A maior incidência de granizo no Sul do Brasil está diretamente relacionada ao episódio do fenômeno El Niño, de excepcional intensidade. O aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial provoca maior frequência de temporais na Região Sul.