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Uma impressionante imagem de satélite chamou atenção no mundo nas últimas horas. Dois enormes ciclones extratropicais girando no Pacífico Norte. Um perto das Ilhas Aleutas e o outro junto ao litoral da Costa Oeste dos Estados Unidos.

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A Califórnia sofre um “desfile incessante de ciclones”, segundo os serviços meteorológicos, com novas chuvas torrenciais nesta quinta-feira depois de inundações e de deslizamentos de terra que já deixaram pelo menos 18 mortos.


As tempestades previstas se moverão para a parte Norte deste estado do Oeste dos Estados Unidos, alertou o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS). Outros estados na costa Noroeste do Pacífico serão afetados no sábado pela manhã, acrescentou.

“As chuvas mais fortes devem afetar o noroeste da Califórnia nos próximos dois dias”, segundo o NWS. As chuvas torrenciais dos dias anteriores em solos já encharcados levaram a cortes de energia, a inundações extensas que arrastaram carros, arrancaram árvores e bloquearam as principais estradas.


Em alguns lugares, foram registrados níveis de precipitação que não se via há 150 anos. Na quarta-feira, uma parte do Norte da Califórnia declarou um alerta de inundação, ou advertências de tempo de inverno.

Em Aptos, uma pequena cidade a pouco mais de uma hora de carro ao Sul de San Francisco, os moradores tentavam se recuperar das enchentes dos últimos dias. “É provavelmente a pior inundação que vi desde que me mudei para cá em 1984”, disse Doug Spinelli à AFP.

O rio da cidade “corria muito, (…) troncos de árvores foram carregados pelo rio, quase um a cada 30 segundos”, contou esse morador. Mais de 35.000 residências e empresas ficaram sem energia na madrugada desta quinta-feira, segundo o site especializado PowerOutage.us.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, advertiu que, embora as tempestades nos próximos dias sejam menos fortes, elas serão igualmente perigosas. “Este local está saturado. Agora, uma chuva mais modesta pode ter um impacto maior nas condições do terreno”, alertou, destacando que a previsão estima que essas condições se mantenham pelo menos até 18 de janeiro.

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Segundo a assessoria, as tempestades das últimas semanas deixaram pelo menos 18 mortos, “mais do que os incêndios florestais dos últimos dois anos”. Em Paso Robles, no centro do estado, um menino de cinco anos ainda estava desaparecido, depois que o carro em que sua mãe o levava para a escola foi arrastado na segunda-feira. A mãe sobreviveu. A investigação ainda está em andamento, e “vamos continuar (…) até encontrá-lo”, afirmou o porta-voz do serviço do xerife do condado de San Luis Obispo, Tony Cipolla, à imprensa local.

De acordo com o jornal Los Angeles Times, o número de mortos em tempestades recentes inclui pessoas presas pelas enchentes em seus carros, moradores esmagados por árvores que caíram, um casal morto em um deslizamento de terra e pessoas arrastadas pelas ondas.

A Califórnia vive “uma avalanche interminável de rios atmosféricos”, não vista desde 2005, de acordo com os serviços meteorológicos. Formados pelo vapor d’água dos trópicos e que viajam para descarregar trombas na Costa Oeste dos Estados Unidos, esses “rios do céu” raramente são tão frequentes.

Semanas de chuva extrema inundam áreas no estado da Califórnia após uma seca prolongada. Uma das áreas com enchentes é Gilroy, onde casas e veículos estão tomados pelas águas. | JOSH EDELSON/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Destroços e lixo trazidos pelas sucessivas tempestades se acumulam em frente ao parque de diversões na beira da praia em Santa Cruz, Califórnia. A área da baía de São Francisco e grande parte do Norte da Califórnia continuam a ser inundados por chuvas intensas. As tempestades derrubaram árvores, inundaram estradas e cortaram a energia de dezenas de milhares. | MARIO TAMA/GETTY IMAGES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Embora seja difícil estabelecer uma ligação direta entre essa série de tempestades e as mudanças climáticas, os cientistas costumam explicar que o aquecimento aumenta a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos. A tempestade da semana passada já havia cortado o fornecimento de energia para dezenas de milhares de pessoas e desencadeado graves inundações e deslizamentos de terra.

Chegou poucos dias depois de outro dilúvio na véspera de Ano Novo. Paradoxalmente, porém, toda essa chuva será insuficiente para reabastecer as reservas de água da Califórnia. Seriam necessários vários invernos com chuvas acima do normal para compensar a seca dos últimos anos, dizem os especialistas.

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