Dois poderosos rios atmosféricos atingirão nos próximos dias a América do Sul com chuva excessiva a extrema, tempestades severas e nevascas que podem acumular metros, causando transtornos e estragos em diferentes países.

Primeiro rio atmosférico avança do Pacifico para o Chile e o segundo se formará no interior do continente com impactos na Argentina, Paraguai, Uruguai e o Sul do Brasil | MAPA
O primeiro avança vai se formar no interior da América do Sul, acompanhando uma intensa corrente de jato em baixos níveis, transportando ar tropical quente da Bolívia e do Centro-Oeste do Brasil para as latitudes médias do continente.
Este corredor de umidade vai atuar nos próximos dias, especialmente a partir de quinta (16) e sexta (17) com chuva excessiva e fortes a intensas tempestades no Centro e o Nordeste da Argentina, Uruguai e o Sul do Brasil.
Inicialmente, o ingresso de ar muito quente com altas temperaturas vai formar uma frente quente que vai trazer chuva, isoladamente forte a intensa, com temporais isolados da tarde para a noite da quinta. Na sexta, a frente quente gera instabilidade no Oeste, Sul, parte do Centro e do Leste gaúcho com chuva que pode ser localmente forte e com risco de tempestades de vento e granizo.
Na sequência, a frente vai passar à semi-estacionária no fim de semana, oscilando ora para o Sul e ora para o Norte, trazendo mais chuva e temporais no Rio Grande do Sul, mas pelo movimento de oscilação da frente ocorrem momentos com sol e forte calor, especialmente na Metade Norte.
O sistema deve permanecer quase estacionário entre o Rio Grande do Sul e o estado de Santa Catarina no começo da semana, trazendo ainda chuva que pode ser localmente volumosa e acompanhada de tempestades.
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A sequência de vários dias com chuva deve fazer com que os acumulados sejam altos a muito altos na maioria das regiões do estado, com volumes em algumas localidades que podem chegar ao dobro da média de julho inteiro em poucos dias.

METSUL
O mapa acima mostra a projeção do modelo canadense de chuva acumulada em sete dias no Sul do Brasil em que se observa que os maiores volumes devem se dar entre o Oeste, Noroeste, Centro e o Sul gaúcho com 100 mm a 200 mm em várias cidades e acumulados em alguns locais de 200 mm a 300 mm até o meio da semana que vem.
Segundo canal de umidade vai castigar fortemente o Chile
O segundo rio atmosférico avança do Oceano Pacífico e impactará o Chile e parte da Argentina. Este poderoso corredor de umidade, de categorias 4 e 5, irá castigar os chilenos com chuva extrema, ventos fortes e neve intensa na Cordilheira dos Andes que pode acumular metros.
A Direção Meteorológica do Chile (DMC) emitiu alertas para precipitações moderadas a fortes, enquanto o governo reforçou as medidas preventivas diante da previsão de um dos eventos meteorológicos mais importantes dos últimos anos na região central chilena.
O primeiro sistema frontal concentrará seus efeitos iniciais entre Biobío, La Araucanía e Los Ríos. Na sequência, novas frentes avançarão para Ñuble, Maule, O’Higgins, Região Metropolitana, Valparaíso, Coquimbo e até Atacama, mantendo vários dias consecutivos de instabilidade.
O rio atmosférico fornecerá enorme quantidade de umidade proveniente do Oceano Pacífico, intensificando a chuva ao longo da costa, dos vales e das áreas da pré-cordilheira. O transporte contínuo de vapor favorecerá precipitações persistentes e acumulados excepcionalmente elevados em diversas localidades.
As projeções indicam que os maiores volumes de precipitação ocorrerão entre quarta e quinta-feira, especialmente em Ñuble e Biobío. Em municípios como San Fabián de Alico, Cobquecura, Coihueco e Antuco, os acumulados poderão atingir entre 150 e 200 mm.
Na Região Metropolitana, o sistema frontal deverá chegar durante a quinta-feira, fortalecendo-se com a atuação direta do rio atmosférico. A chuva persistirá durante a sexta-feira e poderá continuar ao longo do fim de semana, aumentando significativamente os volumes acumulados.
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As previsões mais recentes indicam que Santiago poderá registrar até sete dias consecutivos de precipitação caso a sequência de sistemas frontais se confirme. Em alguns setores da região, os acumulados totais poderão superar 200 mm durante todo o episódio. Em alguns setores, como na área de Valparaíso, a chuva pode ficar ao redor de 300 mm ou mais.

METSUL
Além das chuvas intensas, o evento deverá provocar ventos fortes, tempestades isoladas e abundante neve na Cordilheira dos Andes que poderá acumular metros. As condições vão fechar estradas de montanha, reduzir a visibilidade e dificultar o tráfego nas passagens internacionais com a Argentina.
Diante da gravidade do cenário, o governo chileno colocou em alerta diferentes órgãos públicos e mobilizou equipes de emergência em diversas regiões. Bombeiros, Forças Armadas, policiais e serviços públicos permanecerão em prontidão para responder rapidamente a eventuais ocorrências.
O Ministério da Educação determinou a suspensão das aulas na sexta-feira nas regiões de Coquimbo, Valparaíso, Metropolitana, O’Higgins e Maule. A medida poderá ser ampliada conforme a evolução das condições meteorológicas e dos impactos observados durante o evento.
O que é um rio atmosférico
Um rio atmosférico é uma extensa faixa estreita de umidade na atmosfera que transporta enormes volumes de vapor d’água das regiões tropicais para latitudes mais altas. Impulsionado pelos ventos, o corredor de umidade pode se estender por milhares de quilômetros. Quando encontra montanhas ou sistemas de baixa pressão, o ar úmido sobe, resfria e produz chuva ou neve.
Um rio atmosférico muito intenso pode causar chuva extrema, enchentes, inundações, deslizamentos de terra e nevascas volumosas. A intensidade do fenômeno depende da quantidade de umidade disponível e da circulação atmosférica, sendo monitorada de perto por meteorologistas pelos elevados riscos envolvidos.