Uma onda de frio histórica avançou até a Flórida no fim de semana e levou o chamado Sunshine State a registrar temperaturas raríssimas para a região, com recordes quebrados, neve fraca em áreas improváveis e impactos que vão da fauna à aviação. Mesmo com o início gradual do aquecimento, o frio ainda não se despediu completamente do estado.

JOE RAEDLE/GETTY IMAGES/AFP/METSUL
O ar de origem ártica avançou com força sobre o Sudeste dos Estados Unidos após a passagem de uma poderosa tempestade de inverno. O resultado foi um mergulho acentuado das temperaturas, alcançando áreas acostumadas a calor quase o ano inteiro, como o centro e o sul da Flórida.
Em Miami, o domingo, 1º de fevereiro de 2026, entrou para a história. A mínima foi de 1,7°C, a mais baixa já registrada para a data, superando o recorde anterior de 1909. Foi também a madrugada mais fria na cidade desde 2010. Com vento, a sensação térmica caiu para valores entre –3°C e –5°C em diferentes pontos da região metropolitana.
Fort Lauderdale também enfrentou sensação térmica próxima de –3°C, enquanto bairros do interior da área metropolitana, como Kendall, chegaram a –5°C. As autoridades emitiram novamente um aviso de frio, alertando para riscos à saúde, especialmente entre populações vulneráveis.
No centro do estado, o frio foi ainda mais severo. Orlando registrou mínima de –4,4°C, quebrando recordes históricos. Visitantes de parques temáticos enfrentaram madrugadas congelantes, e imagens de estalactites de gelo em fontes, incluindo o famoso globo da Universal, chamaram atenção nas redes sociais.
Em um sinal raro do impacto do ar ártico sobre o estado do sol, observações meteorológicas mostraram que Orlando, na Flórida, com -4,4ºC estava mais frio do que Juneau, no Alasca, com 0,6ºC, em determinado momento da manhã de domingo, algo que acontece muito poucas vezes na história climática da região
O frio intenso também provocou um fenômeno conhecido na Flórida: as iguanas “congeladas”. Com temperaturas na faixa de 0°C a 5°C, os répteis, que são de sangue frio, ficaram imóveis e caíram de árvores em várias cidades do sul do estado. Autoridades ambientais reforçaram que, na maioria dos casos, os animais não estavam mortos e tendem a se recuperar com a elevação da temperatura.
Outro impacto visível ocorreu nos mananciais naturais. As nascentes da Flórida ficaram lotadas de peixes-boi, que buscam águas mais quentes para sobreviver. No Parque Estadual Blue Spring, mais de 800 peixes-boi foram contabilizados em um único dia, contra menos de 70 registrados na semana anterior.
A aviação também sentiu os efeitos do frio extremo. No aeroporto internacional de Miami, cerca de 20 voos foram cancelados, e o processamento de bagagens sofreu atrasos devido às temperaturas anormalmente baixas. Em Orlando, operações chegaram a ser temporariamente suspensas após um alerta emergencial em uma torre de controle, posteriormente resolvido.
Apesar do sol predominante nos próximos dias, o frio ainda segue. As máximas no sul da Flórida devem ficar abaixo de 16°C no início da semana, com novas madrugadas frias. Um novo avanço de ar frio é esperado com a passagem de outra frente fria na quinta-feira, podendo trazer mais uma rodada de temperaturas baixas antes da normalização.
