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Um grande corredor de fumaça, resultante do grande número de queimadas na Amazônia do Brasil e dos países vizinhos, podia ser visto nesta quinta-feira se estendendo pelo interior da América do Sul. O corredor percorria milhares de quilômetros e percorria uma área que vai da região amazônica até o Rio Grande do Sul, passando pela Bolívia, Paraguai e o Nordeste da Argentina.

NOAA/NASA

O corredor de fumaça foi trazido para o Sul por uma grande corrente de jato em baixos níveis, um corredor de vento a cerca de 1.500 metros de altitude, que se originava no Sul da Amazônia e descia até o território gaúcho. Foi este corredor de vento quente e seco, carregado de fumaça, que fez com que o dia fosse quente no Rio Grande do Sul com 28,8ºC na Grande Porto Alegre e até 33ºC no Noroeste gaúcho.


Normalmente, nesta época do ano, estes corredores de fumaça alcançam o Sul do Brasil. Isso se dá quando as correntes de vento passam a ser de Norte, especialmente horas da chegada de uma frente fria, como era o caso de hoje. Às vezes, a fumaça da Amazônia desce até mais ao Sul e alcança a região de Buenos Aires e mais raramente o Norte da Patagônia.

Diferentemente da região amazônica, onde a fumaça atua mais perto da superfície e traz piora da qualidade do ar com problemas respiratórios para a população local, no Sul do Brasil está em suspensão na atmosfera e seus efeitos se percebem pelo tom mais acinzentado do céu com um aspecto fosco e ainda por cores realçadas do sol ao amanhecer e no fim da tarde.


O efeito da fumaça foi perceptível no céu do Rio Grande do Sul em grande número de cidades. Em muitas localidades, a presença de muitas nuvens altas se confundiu com a fumaça para dar um aspecto mais acinzentado ao céu. O sol esteve mais alaranjado e avermelhado que o habitual no fim da tarde justamente pela presença do material particulado na atmosfera, como foi o caso de Porto Alegre.

FERNANDO OLIVEIRA

FERNANDO OLIVEIRA

FERNANDO OLIVEIRA

É sabido que a presença de fumaça na atmosfera inibe maior aquecimento assim que poderia ter aquecido ainda mais no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira não fosse a presença do material particulado trazido pelas correntes de vento do quadrante Norte.

Confirmação por aerossóis

A chegada do corredor de fumaça ao Rio Grande do Sul foi confirmada pela divisão de aerossóis da NOAA, a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera, em Washington. A pedido da MetSul, a agência climática norte-americana gerou imagens da tarde de hoje dos sensores ABI de aerossóis de profundidade ótica do satélite GOES-16.

O marrom na imagem de satélite mostra uma alta densidade de aerossóis, o que se verifica quando há muita fumaça. No caso de hoje, a presença de nuvens impedia visualizar a densidade da fumaça em todo o Rio Grande do Sul, mas no Noroeste gaúcho, com tempo mais aberto, era perceptível a cor marrom no mapa, indicativa de muita fumaça.

Setembro de muito fogo na Amazônia

O número de focos de calor na Amazônia brasileira, nos primeiros sete dias do mês, chegou a 18.374, o que é superior à metade da média histórica (1998-2021) de setembro inteiro que é de 32.110. Os dias 2, 3 e 4 deste mês registraram mais de 3 mil focos diários. Nos últimos três dias, os números diários de focos de calor diminuiu, porém segue muito alto.

A Amazônia não tinha um começo de setembro com tanto fogo desde 2007. Os piores anos de queimadas na região se deram entre 2002 e 2007. Em 2002, agosto terminou com 43.484 focos. Em 2003, 34.765. Já em 2004, 43.320. Em 2005, o recorde da série histórica do mês com 63.764. Em 2006, 34.208. E, por fim, 2007 com 46.385 focos de calor em agosto. Em 2011, o menor número em agosto com 8.002 focos.

O número de focos de calor somente nos primeiros sete dias deste mês no Amazonas de 3.819 supera a média histórica de setembro de 2.768. O mês se encaminha para ser o pior setembro de fogo já registrado no Amazonas, batendo o recorde mensal de setembro de 2015 com 5.004.

No Acre, a primeira semana de setembro registrou, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2.784 focos de calor. O valor já se aproxima da média do mês histórica do mês todo de 3.224. O Pará, na primeira semana do mês, teve 5.416 focos, marca acima da metade da média mensal de 9.103. Em Rondônia, os primeiros sete dias do mês anotaram 2.537 focos e a média histórica mensal é de 6.974.

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