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Fenômeno La Niña atua atua desde o mês de agosto no Oceano Pacífico Equatorial

A chuva não para em Santa Catarina com deslizamentos de terra, inundações, cheias de rios e prejuízos em mais de 25 municípios. Como é possível que chova tanto se o clima está sendo influenciado pelo fenômeno La Niña? 

O senso comum dita que estando o clima global sob influência do fenômeno La Niña, não haveria eventos de chuva extremo no Sul do Brasil, onde o fenômeno agrava o risco de estiagem durante o verão. Esta, entretanto, é uma percepção equivocada.Episódios com chuva excessiva podem ocorrer e ocorrem no Sul do país mesmo em anos de La Niña.


O fenômeno La Niña atua desde o mês de agosto e no momento apresenta, de acordo com dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), intensidade moderada no Pacífico Equatorial. A última anomalia medida de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central, a denominada região Niño 3,4, foi de 1,2ºC, logo no território de intensidade moderada.

Ocorre que mesmo sob a atuação da La Niña podem se dar eventos extremos de chuva no Sul do país. O fenômeno aumenta a probabilidade de ocorrência de estiagem por conta de chuva abaixo da média e mais irregular, mas não deixa de existir umidade presente na atmosfera. A combinação de ar quente e ar úmido típica do verão forma nuvens que têm maior desenvolvimento vertical que produzem precipitações muito intensas em intervalo curto, capazes de gerar inundações e deslizamentos.

Meses mais chuvosos do ano no Nordeste catarinense são os de verão enquanto no Rio Grande do Sul são os de inverno e início de primavera 

O Leste e o Nordeste de Santa Catarina, e o Leste do Paraná, possuem uma dinâmica que é diferente na atmosfera do verão de outras áreas do Sul do país. O que vale para Foz do Iguaçu, o Chuí ou Uruguaiana não vale para Florianópolis, Joinville ou Paranaguá. 

Estas áreas mais a Leste e Nordeste de Santa Catarina, além do Leste do Paraná, muitas vezes durante o verão registram a influência do canal de umidade que atua de forma transversal sobre o Sudeste e o Centro-Oeste brasileiro.

A ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico do Sul) tem o poder de influenciar o tempo nestas áreas mais a Nordeste do Sul do Brasil. Por isso, mesmo que outras regiões do Sul do país estejam carentes de água, regiões como o Nordeste catarinense e o Leste do Paraná podem ter chuva acima da média. Em alguns casos, até o Litoral Norte gaúcho igualmente sofre o mesmo efeito com chuva volumosa se a ZCAS se posiciona mais ao Sul numa faixa transversal. 

Desta forma, o evento de chuva volumosa que ocorre no Leste e no Nordeste de Santa Catarina não foge ao padrão de instabilidade que pode ser esperado no verão na região. Trata-se de uma área em que os efeitos do fenômeno La Niña são menos pronunciados na estação quente do ano.

Se em quase todo o Rio Grande do Sul os meses mais chuvosos do ano na climatologia anual são os de inverno, no Nordeste catarinense são os de verão. Joinville, famosa pelo seu alto número de dias com chuva que rendeu o apelido Chuville, tem no verão suas maiores médias mensais de precipitação.


O mesmo ocorre em muitas áreas do Paraná. Pela proximidade com São Paulo e o Centro-Oeste, onde o inverno é a temporada seca nestas regiões, grande número de cidades paranaenses tem no inverno suas menores médias mensais de precipitação e no verão as mais altas.

Assim, a Região Sul do Brasil pode ser uma só, mas o regime de chuva está longe de ser uniforme com realidades muito distintas conforme a latitude e a época do ano. 

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