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O buraco na camada de ozônio neste ano é um dos maiores observados nos últimos anos. O consórcio europeu de monitoramento ambiental e climático Copernicus hoje (15) divulgou uma ilustração de como o buraco de 2020 se comparou no seu pico aos máximos anuais registrados nas últimas quatro décadas.

O buraco na camada de ozônio que ocorre anualmente na Antártida atingiu seu pico anual em 2020 e é um dos maiores e mais profundos dos últimos anos. As análises mostram que o buraco atingiu seu tamanho máximo agora entre o fim de setembro e o começo de outubro. 

O buraco na camada de ozônio em 2020 cresceu rapidamente a partir de meados de agosto e atingiu um pico de cerca de 24 milhões de quilômetros quadrados, acima da média da última década e se espalhando por quase todo o continente antártico.

O buraco na camada de ozônio no Hemisfério Sul é o maior e mais profundo dos últimos anos depois de ter sido muito pequeno no ano passado. A informação foi confirmada também por cientistas da agência europeia Copernicus. Em algumas áreas, a concentração de ozônio é próxima de zero. As condições meteorológicas, com um vórtice polar muito estável e com frio extremo, têm favorecido a destruição do ozônio.

“O buraco na camada de ozônio em 2020 se parece com o buraco em 2018, que também foi bastante grande e está definitivamente no topo daqueles vistos nos últimos quinze anos ou mais”, disse Vincent-Henri Peuch, Diretor do Serviço Copernicus Atmosphere Watch. 

“Com a luz do sol retornando ao Pólo Sul nas últimas semanas, vimos a destruição contínua da camada de ozônio na área. Após o curto e incomum buraco na camada de ozônio em 2019 – que foi desencadeado por condições climáticas especiais – estamos vendo um bastante grande novamente este ano, confirmando que temos que continuar a aplicar o Protocolo de Montreal que proíbe as emissões de produtos químicos que destroem a camada de ozônio”, disse. 

A coluna de ozônio, a concentração de ozônio na estratosfera, atingiu níveis recordes de baixos neste mês. Más notícias para os que comemoraram antes da hora os números de 2019, celebrado por muitos como um suposto grande sucesso do Protocolo de Montreal.

O buraco deste ano mostra que a realidade é bem mais complicada. Embora o buraco de ozônio esteja sujeito a uma variabilidade anual significativa, vale ver a comparação do buraco de ozônio de 2020 com a de 2019 nas mesmas datas. Percebe-se que não só a área superficial é muito menor, mas também a concentração (a cor vermelha indica uma presença maior).

O Sistema Copernicus mede constantemente as condições do ozônio na atmosfera com dados de satélite, verificando-os com medições de sondas globais e é capaz de criar previsões sobre a sua evolução.

O buraco na camada de ozônio se forma todos os anos na primavera, quando os primeiros raios de sol atingem os pólos. Compostos químicos proibidos pelo Pacto de Montreal, como clorofluorocarbonetos (CFC) e substâncias que contêm bromo, se acumulam dentro do vórtice polar. Nas temperaturas extremas do vórtice polar (a corrente estratosférica que mantém o ar frio confinado nos pólos), formam-se nuvens estratosféricas que promovem reações químicas que destroem a camada de ozônio.

Os compostos químicos permanecem inativos até serem atingidos pelos primeiros raios do sol. “A energia do sol libera átomos de cloro e bromo quimicamente ativos no vórtice que rapidamente destroem as moléculas de ozônio, causando a formação do buraco”, explicou Copernicus em um comunicado.

Esses tipos de condições são mais comuns no Hemisfério Sul, mas no começo deste ano ocorreu o maior e mais estável buraco na camada de ozônio no Pólo Norte.

O ozônio é um escudo natural contra os raios ultravioleta. A principal consequência do buraco na camada de ozônio é a maior exposição a essas radiações, que podem causar câncer de pele e problemas oculares em áreas desprotegidas pela camada. Além disso, pesquisas recentes sugerem um nexo entre o buraco de ozônio e as correntes marinhas e atmosféricas responsáveis ​​pelo clima de médio e longo prazo.

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