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Outono começa ainda sob influência do fenômeno El Niño que favorece episódios de chuva volumosa no Sul do Brasil | FERNANDO OLIVEIRA/ARQUIVO

O outono astronômico começou nos primeiros minutos desta quarta-feira, exatamente à 0h06, com o equinócio, e vai até o dia 21 de junho. A estação, sob o ponto de vista da climatologia, considera o período entre março e maio. Neste ano, o outono começa com o El Niño ainda influenciando o clima em escala global.

Como foi o último outono de um ano que começou com El Niño forte e terminou com La Niña, como se espera seja o caso de 2024. Para isso, é preciso voltar quase dez anos no tempo e enxergar o que aconteceu nos meses de outono do ano de 2016, última vez em que um ano teve início com um muito forte episódio de El Niño.

O verão climático de 2024 (dezembro de 2023 a fevereiro de 20254) teve um índice ONI (Oceanic Niño Index), que reflete as condições do Oceano Pacífico, de 1,8ºC. O dado é consistente com um El Niño forte e foi o maior valor no trimestre desde 2016, quando o índice ONI apurado foi de 2,5ºC, indicativo de um muito forte El Niño (Super El Niño).

O ano de 2016, que começou com ONI em 2,5ºC, terminou com o índice em -0,6ºC. O primeiro trimestre a apresentar anomalias no índice condizentes com La Niña (-0,5ºC ou inferior) em 2016 foi o de julho a setembro com -0,5ºC. Ou seja, a transição de El Niño para La Niña foi rápida e se deu no outono, tal como se projeta para este ano de 2024 agora.


Em 2016, o trimestre do chamado outono climático (março a maio) foi de chuva acima da média na maior parte do Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Dos três meses da estação, março e abril foram os meses mais chuvosos no Rio Grande do Sul. Maio foi mais seco no estado gaúcho e teve chuva acima da média em Santa Catarina e no Paraná.

E a temperatura? O trimestre de março a maior foi de temperatura acima da média no Paraná enquanto Santa Catarina ficou entre a média e acima da média, conforme a área do estado. Já no Rio Grande do Sul, o trimestre de março a maio de 2016 foi de temperatura na média na maioria das regiões com marcas abaixo da climatologia histórica perto da fronteira com o Uruguai.

Março teve temperatura abaixo da média, especialmente no Rio Grande do Sul, ao passo que abril anotou temperatura acima a muito acima dos normais históricos nos três estados da região. Já maior teve temperatura perto da média no Paraná e foi mais frio do que a média em Santa Catarina e, principalmente, no Rio Grande do Sul, onde em várias cidades maio terminou bem mais frio que o habitual.

Com base em dados de Porto Alegre, o primeiro frio de maior intensidade do outono em 2016 ocorreu na última semana de abril. A capital teve mínimas no Jardim Botânico de 11,4ºC no dia 26; 9,5ºC no dia 27; 7,2ºC no dia 28; 6,8ºC no dia 29; 8,0ºC em 30 de abril; 7,5ºC no dia 1º de maio; 8,2ºC no dia 2 de maio; 12,9ºC no dia 3; 10,8ºC no dia 4; 11,1ºC no dia 5; e 12,3ºC no dia 6. Foi, assim, um episódio forte de frio e ainda prolongado entre o fim de abril e o começo de maio.

Mais tarde naquele mês, novas incursões de ar frio trouxeram temperatura baixa. Porto Alegre teve 7,0ºC no dia 18; 6,8ºC no dia 19; 8,5ºC no dia 20; 9,0ºC em 23 de maio; e 7,1ºC no dia 24. Não houve um dia sequer de calor em maio de 2016 na capital gaúcha, logo sem ocorrência de veranico.

Anos passados sempre oferecem ideias de como pode se comportar o clima no futuro porque muitas vezes padrões se repetem, o que faz com que se use a técnica de analogia em previsões climáticas, mas é fundamental destacar que nenhum ano é igual ao outro e que a história do passado não se repete como um replay.

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