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Começa o inverno climático e em 2021 o frio se antecipou com um maio mais frio que a média e muitos dias de temperatura negativa e geada no Rio Grande do Sul | Alina Souza/Correio do Povo/Arquivo

Começa o inverno climático. Este 1º de junho marca o início do que é denominado pela climatologia do inverno climático, ou seja, o trimestre de junho a agosto. Como o inverno astronômico possui datas móveis de início e fim pelo solstício e o equinócio, a ciência climatológica mundialmente faz uso do trimestre junho a agosto para o inverno climático no Hemisfério Sul e dezembro a fevereiro no Hemisfério Norte. O inverno astronômico, por sua vez, em 2021, começa à 0h32 de 21 de junho e acaba às 16h21 de 22 de setembro com a chegada da primavera.

A atmosfera não costuma respeitar convenções e o que se vê neste ano é exatamente isso à medida que maio no Rio Grande do Sul foi um mês mais frio do que o normal com alto número de dias de temperatura negativa e elevada frequência de geada. Na prática, o mês recém findo teve características de inverno na parte meridional do Brasil.


O primeiro dia do inverno climático é frio no Rio Grande do Sul e voltou a ter formação de geada e marcas negativas no território gaúcho, mas a massa de ar frio já começa a se enfraquecer e a tendência é de marcas mais altas nos próximos dias nos termômetros. Os primeiros dez dias de junho, aliás, exceção do amanhecer de hoje, não devem ser muito gelados no estado gaúcho e a previsão pro próximo fim de semana é, inclusive, de chuva e risco de temporais isolados.

Projeção para o inverno climático

Os modelos de clima, em geral, estão indicando um trimestre junho a agosto com médias de temperatura próximas do normal na maior parte do Sul do Brasil, mas com marcas nos termômetros acima da média no Brasil Central. O mapa abaixo mostra a última projeção trimestral de anomalia temperatura da Universidade de Columbia (EUA) para os meses de junho, julho e agosto na América do Sul.

É sempre importante esclarecer que médias trimestrais podem ser por demais enganosas. Uma média é a soma de extremos, logo mascara eventos de frio mais extremo e de calor fora de época. Assim, quando um mapa mostra temperatura próxima da média para um período longo como três meses isso não significa que a temperatura estará perto da média normal durante todo o período trimestral. Os modelos calculam a anomalia a partir das oscilações para acima e abaixo da média a cada dia. Logo, neste trimestre haverá dias e períodos muito mais frios que o normal e dias e períodos muito mais quentes do que o que se costuma registrar, como ocorre, aliás, todos os anos.

Inverno climático na previsão da Argentina

A última projeção trimestral do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN) para o período de maio a junho indicou temperatura acima da média na região patagônica e abaixo da média no Cuyo.

Para o Centro e o Nordeste da Argentina, região que estão nas latitudes do Sul do Brasil e vizinhas à região, a tendência indicada pelo serviço oficial de Meteorologia argentino foi de temperatura na média histórica no período até julho, ou seja dois terços do inverno climático de 2021.   

Sinais do Hemisfério Norte

Observando-se o que está ocorrendo e o se deu nos últimos meses em diversos países do Hemisfério Norte, a MetSul acredita que não teremos frio rigoroso e constante durante este inverno no Sul do Brasil. A tendência mais provável é da tradicional variabilidade um tanto acentuada de temperatura se repetir neste ano. Um mês do trimestre poderá ser mais frio e até com muitos dias gelados ao passo que outro pode ser de temperatura mais alta.

Nesse sentido, cabe lembrar que muitos recordam que fevereiro, o terceiro mês do inverno climático, teve uma grande onda de frio na Europa e uma poderosa onda de frio nos Estados Unidos que fez com que o mês fosse muitíssimo gelado no país norte-americano e no continente europeu, mas janeiro foi de temperatura muito acima da média para os norte-americanos.

A falibilidade dos modelos de clima

Modelos de previsão do tempo (curto prazo) são por demais confiáveis a apresentam um alto índice de acerto (skill), entretanto modelos de tendência sazonal de clima (longo prazo) não têm os mesmos índices de precisão. A maioria esmagadora dos modelos de clima indica para o inverno climático deste ano temperatura acima ou dentro da média no Sul do Brasil, sendo a maioria acima.


Modelos de clima não indicavam em dezembro de 2020 em sua grande parte o fevereiro de frio muito intenso nos Estados Unidos. Da mesma forma projetavam 30 dias antes um março de 2021 muito quente na Europa e, ao contrário, o mês acabou sendo muito frio no continente.

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Projeções climáticas sazonais, portanto, estão sujeitas a uma maior margem de erro e os indicativos de hoje que predominam em torno de um inverno de temperatura próxima ou acima da média podem mascarar um mês mais frio ou alguns episódios de frio bastante significativo e até histórico, como se viu no último inverno do Hemisfério Norte.   

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