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Os oceanos do planeta registraram em junho de 2026 a maior temperatura da superfície do mar já observada para o mês, reforçando os sinais de aquecimento global e elevando a preocupação dos cientistas com a possibilidade de novos recordes nos próximos meses.

Mapa mostra aquecimento dos oceanos

NOAA

Os dados foram divulgados pelo Serviço Marinho Copernicus, da União Europeia, que monitora continuamente as condições dos mares em escala global.

A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu 20,98°C em junho, superando os recordes anteriores estabelecidos em 2023 e 2024. O resultado encerra um primeiro semestre marcado por calor excepcional nos mares, com sucessivas ondas de calor marinhas em diferentes regiões do planeta.

Embora a média dos seis primeiros meses de 2026 tenha ficado ligeiramente abaixo do recorde do mesmo período de 2024, os pesquisadores alertam que o cenário pode mudar rapidamente com o fortalecimento do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico.

A expectativa é de que o aquecimento das águas tropicais impulsione ainda mais as temperaturas globais dos oceanos e da atmosfera durante o restante deste ano e ao longo de 2027. O diretor do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, Carlo Buontempo, afirmou que as condições atuais podem representar o início de uma nova fase de aquecimento, levando o planeta novamente a níveis sem precedentes.

Segundo ele, a combinação entre oceanos extremamente quentes e o desenvolvimento do El Niño favorece a ocorrência de novos recordes de temperatura. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse excesso de calor é transferido para a atmosfera, modificando os padrões de circulação dos ventos, das nuvens e das chuvas em diversas partes do mundo.

Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento da frequência de eventos extremos, como enchentes na costa oeste da América do Sul, secas em partes da África, incêndios florestais na Austrália e alterações importantes nos regimes de precipitação em várias regiões do planeta.

Além disso, costuma provocar um aumento temporário da temperatura média global. Os especialistas ressaltam, entretanto, que o El Niño atua sobre um cenário já aquecido pelas emissões de gases de efeito estufa produzidas pelas atividades humanas.

Assim, o fenômeno natural potencializa um processo de aquecimento que já vem sendo intensificado há décadas pelo aumento das concentrações de dióxido de carbono e outros gases na atmosfera.

Segundo Simon Van Gennip, oceanógrafo do Serviço Marinho Copernicus, há grande probabilidade de que 2026 figure entre os anos mais quentes da história justamente pela combinação entre o novo El Niño e o contínuo aquecimento provocado pelas emissões de gases de efeito estufa.

O relatório também reforça os alertas divulgados recentemente pelas Nações Unidas sobre a deterioração da saúde dos oceanos. A avaliação científica aponta que os mares enfrentam uma crise crescente, aquecendo e elevando seu nível em ritmo acelerado.

Os oceanos desempenham papel essencial no sistema climático terrestre ao absorver cerca de 90% do excesso de calor gerado pelo efeito estufa. Sem essa capacidade, o aquecimento da atmosfera seria ainda mais intenso.

Entretanto, mares mais quentes aumentam a evaporação, fornecendo mais energia para tempestades tropicais, ciclones e episódios de chuva extrema. Ao mesmo tempo, a expansão térmica da água contribui diretamente para a elevação do nível do mar, ampliando os riscos para áreas costeiras.

O aquecimento também ameaça ecossistemas marinhos. Ondas de calor persistentes favorecem o branqueamento de corais, reduzem a disponibilidade de oxigênio nas águas e podem provocar mortalidade de diversas espécies marinhas.

No primeiro semestre deste ano, cerca de 82% da superfície dos oceanos do planeta foi afetada por ondas de calor marinhas, a segunda maior extensão já registrada, atrás apenas de 2024.

O Mar Mediterrâneo teve seu junho mais quente da história, enquanto o Pacífico Tropical também estabeleceu um novo recorde para o mês, reforçando os sinais de que o aquecimento dos oceanos permanece em níveis excepcionalmente elevados e pode se intensificar ainda mais com a evolução do El Niño.