Um ciclone bomba se forma nesta sexta-feira (8) no Atlântico Sul a Leste da Argentina e vai trazer mais vento para o Rio Grande do Sul hoje e durante o fim de semana com o ingresso de uma massa de ar frio, adverte a MetSul Meteorologia.

Mapa do modelo europeu mostra o ciclone bomba na costa da Argentina | METSUL
O ciclone extratropical vai passar por um processo de muito rápida intensificação ao longo desta sexta-feira (8), quando a pressão atmosférica no centro do sistema meteorológico tende a despencar.
Será neste momento em que ocorrerá a chamada ciclogênese explosiva, ou seja, a formação do que se denomina de uma bomba meteorológica ou ciclone bomba, com a queda muito rápida e acentuada da pressão atmosférica no centro do ciclone.
Haverá uma queda da pressão atmosférica de ao menos 24 hPa em um período de 24 horas, que é o critério mínimo de rápida intensificação para a classificação de um ciclone como bomba.
No decorrer do sábado (9), o ciclone deve começar a se afastar do continente no sentido Leste-Sudeste, mas mantendo ainda uma enorme intensidade sobre o Oceano Atlântico com vento estimado por modelos de até 170 km/h a 180 km/h em mar aberto, longe do continente.
No domingo (10), a tendência é de o ciclone seguir se afastando da América do Sul e já estará muito distante de terra. Na segunda-feira (11), o sistema estará ainda mais longe, muito ao Sul do Atlântico e a milhares de quilômetros do Brasil.
Assim, em nenhum momento o centro deste ciclone vai passar pelo Brasil ou sequer se aproximar do país, mas os seus efeitos vão ser sentidos no território brasileiro, em terra e no mar, com vento e agitação marítima.
Ciclone bomba traz mais vento
Uma vez que o centro do ciclone vai estar muito ao Sul, a Leste da Argentina, o vento mais intenso associado ao sistema vai se concentrar em áreas litorâneas argentinas e no Sul de no Leste do Uruguai. No território uruguaio, as rajadas mais fortes devem se dar entre Montevidéu e Maldonado, hoje (8) e amanhã (9), com velocidades entre 60 km/h e 90 km/h.
O campo de vento mais intenso que afetará os países vizinhos deve ficar em mar aberto ao Sul do Rio Grande do Sul e tangenciar apenas o território gaúcho, assim o vento por conta do ciclone bomba será mais intenso em águas oceânicas e menos intenso sobre terra no estado.
Mesmo assim, o ciclone vai deixar o tempo ventoso no Rio Grande do Sul ao longo desta sexta (8) e ainda no fim de semana. O Sul e o Leste do estado devem ter as rajadas mais fortes, em média de 50 km/h a 70 km/h, mas na Lagoa dos Patos e seus arredores e na faixa costeira podem ocorrer rajadas de vento maiores, da ordem de 70 km/h a 90 km/h.
Em Porto Alegre, embora o fim de semana tenha vento por vezes moderado com ocasionais rajadas, a ventania deve ser maior nesta sexta-feira (8), especialmente entre o começo da manhã e o meio da tarde com rajadas na maior parte da cidade em média de 50 km/h a 60 km/h, mas que perto do Guaíba e por efeito de topografia podem chegar a 70 km/h a 80 km/h em alguns pontos.
Ciclone provocará ressaca do mar
A MetSul Meteorologia alerta que o ciclone bomba deve provocar um significativo swell pelo enorme campo de vento forte a intenso sobre o mar no Atlântico Sul, o que vai provocar ressaca do mar no litoral do Sul do Brasil. Modelos chegam a indicar ondas e vagas de até 10 metros ou mais em mar aberto a Leste da Argentina e longe do continente.
No Rio Grande do Sul, a agitação marítima aumenta neste fim de semana e no começo da semana que vem. As ondas crescem mais a partir do domingo (10) e atingem as suas maiores alturas entre segunda (11) e o começo da terça (12).
Com isso, a tendência é de ressaca do mar na costa gaúcha, tanto no Litoral Sul como no Litoral Norte do estado. Os dados indicam que a ressaca pode ser de maior proporção no Litoral Sul, especialmente na área do Hermenegildo, enquanto no Litoral Norte a maré de tempestade seria menor.
O que é um ciclone bomba
Um ciclone bomba é um sistema de baixa pressão atmosférica que se intensifica de forma muito rápida e intensa. Para ser classificado desta forma, a pressão atmosférica em seu centro precisa cair ao menos 24 hectopascais (hPa) em 24 horas, processo chamado de ciclogênese explosiva pelos meteorologistas.
Esse tipo de ciclone se forma normalmente sobre o oceano, em áreas onde massas de ar frio encontram ar mais quente e úmido. O contraste de temperatura fornece grande quantidade de energia para o sistema, favorecendo uma rápida intensificação dos ventos e da instabilidade atmosférica.
No Atlântico Sul, ciclones bomba tendem a ocorrer com maior frequência nos meses frios do ano, quando o contraste térmico entre as massas de ar é mais acentuado. A região oceânica ao largo da América do Sul é uma área propícia para o desenvolvimento destes sistemas devido à dinâmica atmosférica comum das latitudes médias.